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sábado, 13 de outubro de 2018

Mais uma arma para evitar a quimio

O uso de quimioterapia não faz qualquer diferença no tratamento de vários tipos de cancro da mama, segundo um estudo publicado recentemente no The New England Journal of Medicine. Isto inclui as mulheres com cancros hormonais positivos (HR+) e negativos (HR-) mas em que o cancro ainda não se espalhou para os gânglios axilares.
Para essas mulheres, o tratamento com quimioterapia e terapia hormonal depois da cirurgia não é mais benéfico - a nível da recorrência - do que o tratamento só com terapia hormonal, concluíram os investigadores de uma pesquisa efectuada ao longo de uma década que foi apresentada na American Society of Clinical Oncology, em Chicago, em Junho de 2018.

Este estudo representa mais uma arma a utilizar contra o abuso da quimioterapia no tratamento do cancro da mama, com todas as consequências devastantes que dai advêm para a vida futura da paciente de cancro.
Os médicos preocupam-se com a sobrevida - a sobrevivência ao cancro. Mas nós, as sobreviventes preocupamo-nos não só com a sobrevida mas com a qualidade de vida que teremos nesses anos que nos sobram.
Não nos esqueçamos que a quimioterapia nos rouba vida, sobretudo quando provoca uma menopausa antecipada uma vez que esta está directamente ligada à expectativa de vida.

Recordemos ainda que um grande ensaio publicado em 2016,  o MINDACT Trial, efectuado usando o teste MamaPrint, concluira que 46 por cento das pacientes com menos de três gânglios afectados foi tratada com quimioterapia sem necessidade.


sábado, 13 de maio de 2017

Um cancro emocional



«De certa maneira (…) ficamos a saber a vida de uma pessoa pelo tipo de cancro de que ela padece», Haruki Murakami (A Rapariga que Inventou um Sonho 2006, p.25).
O cancro da mama é um cancro das emoções. Tirando os casos em que a genética interfere, grande parte das mulheres que tem cancro da mama fala em períodos de stress, cansaço, perda ou angústia anteriores à descoberta do dito. Depois, esses tumores embrionários, no caso dos cancros chamados hormonais (RE+ e RP+), são alimentados pelas hormonas de uma gravidez tardia, ou as da terapia de substituição hormonal, por exemplo.

Qualquer corpo produz células cancerígenas regularmente. Um bom sistema imunitário impede-as de proliferar. Um sistema imunitário fortemente afectado pelo stress e pelo stress oxidativo fica à mercê dessas células deficientes. No caso dos cancros chamados hormonais, se essas células forem alimentadas pelo estrogénio – o das pílulas e medicamentos, o dos tóxicos presentes na alimentação, no ambiente e nos produtos de higiene e limpeza e mesmo o dos desequilíbrios hormonais – proliferam. Não são as hormonas que provocam cancro como muita gente pensa. Se assim fosse as adolescentes, estavam todas com cancro! O Professor Gershom Jajicek explica exatamente isso: o estrogénio não inicia a neoplasia, promove-a.
No meu caso este processo aplica-se: em Maio de 2015 uma mamografia revelava que não tinha cancro ou tumores (BIRADS 1 para a mama direita) nem qualquer suspeita. Após, isso, numa altura em que sentia que necessitava de levar uma vida mais calma e ir de férias (o que não fazia há anos, adiando desde a defesa de doutoramento) entrei numa situação profissional de grande stress – não tanto pela quantidade de trabalho e viagens constantes, com o que estou habituada a lidar, mas pela pressão humana da parte de uma hierarquia sem respeito pelos outros. Em stress, o meu sistema imunitário ficou debilitado – estava sempre constipada, com gripe. Entretanto a remoção dos miomas (alimentados pelo estrogénio) e a tomada de hormonas (pílula do dia seguinte seguida de terapia de substituição hormonal, por um mês) foram o suficiente para, no prazo de dois ou três meses, desenvolver um tumor que em Maio de 2016 tinha 5.8 cm.

É necessário ter atenção ao nosso corpo em períodos de grande pressão psicológica – há quem afirme que o cancro da mama é emocional. Eis um artigo sobre a relação entre a imunidade e o stress publicado pela American Psycological Association. Nesta entrevista um oncologista e um Professor de Medicina Integrativa examinam essa relação.

Apesar dessa relação óbvia entre o stress e a queda da imunidade, um estudo recente na Grã-Bretanha afirma não haver qualquer relação entre o stress e o risco de cancro da mama, isto apesar de 34 por cento das mulheres diagnosticadas positivamente viver em stress e 74 por cento ter tido um evento stressante recente... (é fantástica a maneira como as estatísticas manipulam a realidade).
A questão não é o stress em si – é a forma como este afecta a imunidade. E não me digam que não há relação entre um sistema imunitário deprimido e o cancro….
E temos ainda a prova de que as células cancerígenas crescem mais depressa quando o organismo está em stress, tema já bastante estudado.
Se eliminarmos o stress, controlarmos as hormonas e reforçarmos o sistema imunitário o tumor fica privado do que o causou e do que o alimenta e é atacado por uma imunidade renovada. Há mulheres que têm tumores e que recusam a quimio (essa assassina e agente de esterilização em massa) e a cirurgia, e que, seguindo um tratamento de controle hormonal e reforço da imunidade, vêem os seus tumores mamários diminuir, desaparecer.

Portanto, controlar o stress, a raiva, a sensação de perda, a angústia e a depressão é vital para tratar o cancro ou para evitar uma recidiva.


quinta-feira, 30 de março de 2017

Tamoxifeno – a droga contra o cancro que provoca cancro



Se o vosso cancro da mama for hormonal, ou seja se o estrogénio e/ou a progesterona o ajudam a desenvolver-se, é provável que após a quimioterapia, cirurgia e radioterapia vos seja prescrito Tamoxifeno (Nolvadex nos EUA) se ainda não tiverem atingido a menopausa ou um inibidor de aromatase se esse for o caso, durante um período de cinco ou dez anos.

O meu cancro era positivo para estrogénio em 95 por cento das células neoplásicas (ER 95%) e positivo para progesterona em 5% destas (PR5%).

O Tamoxifeno é um Modulador Selectivo do Regulador de Estrogénio (em inglês Selective Estrogen-Receptor Modulator ou SERM). Na mama, é um antagonista do receptor de estrogénio.
Segundo uma meta-análise de ensaios clinícos aleatórios de 2011, efectuada pelo conceituado Early Breast Cancer Trialists Research Group sobre as vantagens do Tamoxifeno nas mulheres com ER+ (que me foi passada por um médico) estas tem a ganhar 13 por cento na recorrência a 15 anos e quase dez por centro na sobrevida.
  



O Tamoxifeno foi criado em 1966 (como anticoncepcional- só mais tarde usado para o cancro) e continua a ser a única droga prescrita para este efeito. Milhões de mulheres o tomam. Milhões de mulheres desistem de o tomar. A pesquisa académica sobre a desistência é grande: cerca de cinco a dez por cento não inicia a droga (como eu), 20 ou 30 por cento desiste a meio dos cinco anos e 50 a 70 por cento não chega ao fim desse período (li variadíssimas pesquisas,  americanas e europeias).

Algumas dessas investigações estatísticas terminam incentivando os médicos a convencer as pacientes a tomar a droga. Esta é também prescrita para mulheres que não têm cancro mas que possuem factores de risco.
Porque será que tantas mulheres abandonam a droga? Sobretudo pelos seus efeitos secundários: provoca sintomas de menopausa agravados (afrontamentos, aumento de peso, hemorragia vaginal, depressão) sendo no entanto este o efeito secundário menos grave. Provoca ainda: fígado gordo e hepatite; alterações da córnea que levam a cataratas; tromboembolismos incluindo trombose das veias profundas, embolismo pulmonar, linfedema nas pernas (ligado aos trombos); miomas, endometriose, pólipos e o mais interessante: cancro do endométrio e sarcoma uterino!


Esta droga que é receitada a milhões de mulheres no mundo é um agonista do receptor de estrogénio para o útero, ou seja provoca cancro do útero. O Tamoxifeno está mesmo listado como um carcinogénio pela Organização Mundial de Saúde e pela American Cancer Society. Uma amiga minha teve de fazer várias raspagens ao útero enquanto a tomava.
Uma falácia sobre a droga é de que cura ou previne o cancro. A droga o que faz é adiar a deteção do cancro. Muitas mulheres, ao fim dos cinco anos de Tamoxifeno, têm uma recidiva. Como o Professor Gershom Zajicek da Faculdade de Medicina da Universidade de Jerusalém explica, o Tamoxifeno faz com os tumores não sejam alimentados pelo estrogénio adiando a recidiva. Ou seja, não cura o cancro porque não é um anti-carcinogénio - faz com que os tumores crescam mais devagar de modo que acabam por só ser identificados mais tarde... ou tarde demais.
No entanto há 50 anos que esta droga é imposta a milhões de mulheres, como se de uma prevenção ou cura se tratasse. Imaginem os proventos da Big Pharma!
Porque não foi criado algo com menos efeitos secundários? Porque não explicam os médicos qual é a acção real da droga, o que realmente faz? (é chocante que em tantas páginas da internet, se afirme que é uma prevenção para o cancro, o que mostra que não se deve confiar no Dr. Google).
Depois de muito pesquisar sobre o Tamoxifeno não o posso tomar, para exasperação dos médicos, que detestam ver a sua autoridade posta em causa (mais do que a minha vida). Penso que a única solução é a alternativa natural. Foi essa a minha opção, para já. Mais num próximo post.
Mas atenção: compreendo aquelas que optam por tomar o Tamoxifeno, com conhecimento dos seus reais efeitos. Não previne a recidiva ou cura o cancro (que, segundo penso tem que ser visto como uma doença crónica) mas, se permite que os tumores não sejam alimentados, adormece-os e enquanto o pau vai e vem folgam as costas!  E, ao contrário dos inibidores de aromatase é uma droga testada e bem conhecida.

sábado, 25 de março de 2017

A verdade sobre o cancro

O programa para hoje, depois da prática de ioga, é começar a ver a série documental «A verdade sobre o cancro».

sábado, 18 de março de 2017

Argumentos para recusar a radioterapia



Argumentos a ponderar para recusar a radioterapia no meu caso (atenção, apenas no meu caso. Quem fez apenas uma lumpectomia deverá geralmente fazer radioterapia ao restante tecido mamário. Quem fez mastectomia e esvaziamento axilar e tem mais de quatro gânglios afectados deverá, sem dúvida, fazer o tratamento. E mesmo quem, como eu, tem um a três gânglios envolvidos deverá fazer radioterapia, se bem que poderá haver condições atenuantes, digamos, a considerar):
 
1- A radioterapia deve ser iniciada quatro a oito semanas após a cirurgia. Devido à existência de seroma já se passaram 14 semanas, o que diminui a efectividade do tratamento (não encontrei referências sobre o assunto que se aplicassem ao meu caso, se bem que haja muita informação sobre atrasos no tratamento de pacientes sujeitas a lumpectomia).

2- O seroma encapsulou, criando um edema e uma fibrose que me limita o movimento. A radioterapia poderá causar mais fibrose o que aumenta a possibilidade de linfedema (10 a 15 por cento).

3- O cancro estava circunscrito aos três gânglios afectados não havendo vestígios externos, na massa axilar, digamos.

4 - Se mais tarde houver recorrência local (no cancro dos ductos operado com lumpectomia essa possibilidade é maior, no lobular invasivo (o meu caso) há mais tendência para metástases distantes) a radiação poderá ser utilizada no peito uma vez que esses tecidos não terão sido ainda irradiados.

5- Tenho consciência de que as células cancerosas existentes localmente se podem espalhar ou já ter espalhado, por isso vou fazer análises regulares (a 15 de Março os marcadores tumorais mostravam que estava tudo bem).



6- Tenho conhecimento de que a radioterapia diminui em mais de dez por cento a possibilidade de metástases (comparando as mulheres mastectomizadas com um a três gânglios afectados (o meu caso) que fizeram radio com as que não o fizeram: a recorrência local foi de menos 16 por cento; a primeira recorrência (a 10 anos) foi de menos 11.5 por cento e a mortalidade foi de menos 7.9 por cento (ou fim de 20 anos) segundo estudo financiado pela Cancer Research UK publicado no The Lancet em 2014.
 
7- Por outro lado, a radiação pode criar células estaminais de cancro da mama que são 30 vezes mais resistentes à quimioterapia e à própria radiação, como demonstrou um estudo da UCLA em 2012. Ou seja as células irradiadas perdem a capacidade de apoptose (morte programada) e tornam-se mais resistentes, sendo responsáveis pela criação de metástases.

quarta-feira, 8 de março de 2017

O argumento contra a radioterapia



 A radiação faz mal como a morte da própria Marie Curie testemunha. Ou a das vítimas de Hiroshima e Nagasaki.
Já aqui vimos que são usados dois tipos de tratamento no caso do cancro da mama (3D conformacional e IMRT). Ambos podem causar sequelas permanentes, entre elas o encapsulamento da prótese ou seja a criação de fibrose na zona irradiada, que aparece meses depois dos tratamentos. Sobre este assunto encontrei um artigo médico interessante que refere um estudo em que a administração de vitamina E (400 IU por dia) e de  PTX - pentoxifylline (400mg - um comprimido três vezes por dia) durante seis meses após oo final da radioterapia reduz significativamente a fibrose causada pela radiação. Conheço várias mulheres que tiveram este problema: depois da rádio ficaram com uma massa dura como uma pedra em vez de mama.
Mas a lista de efeitos secundários desta terapia não se limita às fibroses, apesar de estas serem comuns e aterrorizantes, uma vez que limitam a mobilidade. O linfedema é outra «simpática» possibilidade. Sobre este muito há a dizer e no futuro ele merecerá um post só seu. Sem gânglios, o braço está sujeito a ficar inchado devido a um pequeno corte, queimadura ou infecção ou devido à radiação na zona axilar. O inchaço é extremamente limitante e é para a vida.
Também o parahipertiroidismo parece esta relacionado não só com o cancro da mama em geral (ver estudo) mas também com a radioterapia na zona do peito (ver estudo). Nesta doença a glândula que regula o cálcio no organismo (e que fica por trás da tiróide) fica desregulada causando osteoporose, fadiga crónica, pedras nos rins, ataques de coração.
Quanto às queimaduras, são a reacção já esperada da radioterapia e parecem-me o efeito menos grave. São piores para as peles claras.
Eu, com os minha tendência para as fibroses (miomas, tendinites, entorses anquilosados e afins), com o meu hipertiroidismo (sim, eu sei não é mesma coisa mas anda lá perto) e com a minha pele de ruiva terei alguma sorte com a radioterapia?
Bom, deixei para o fim os efeitos secundários mais óbvios: cancro da pele, cancro do pulmão e cancro dos ossos… que só aparecerão dez ou quinze anos depois do tratamento.

Contudo o argumento contra a rádio não se fica pelos efeitos secundários (como se estes não bastassem): a radiação pode criar células estaminais de cancro da mama que são 30 vezes mais resistentes à quimioterapia e à própria radiação, como demonstrou um estudo da UCLA em 2012 (ver notícia).
Ou seja as células irradiadas perdem a capacidade de apoptose (morte programada) e tornam-se mais resistentes, sendo responsáveis pela criação de metástases.
Assim, como se sabe se uma metástase foi criada pelo cancro original ou por tais células estaminais resultantes do tratamento de radioterapia? Os médicos provavelmente vão vender-vos a primeira teoria. 
Por isso, é preciso reflectir nos prós e contras da radioterapia antes de nos sujeitarmos a ela e compreender se é adequada para o nosso caso.


O argumento pela radioterapia

Estou a ler um estudo (financiado, entre outras instituições, pela Cancer Research UK e publicado em 2014) que mostra que tanto as recidivas (a dez anos) como a mortalidade (a 20 anos) são menores para as mulheres que se submeteram a radioterapia.
Por exemplo, comparando as mulheres mastectomizadas com um a três gânglios afectados (o meu caso) que fizeram radio com as que não o fizeram: a recorrência local foi de menos 16 por cento; a primeira recorrência (a 10 anos) foi de menos 11.5 por cento e a mortalidade foi de menos 7.9 por cento (ou fim de 20 anos). Para as mulheres com mais de quatro gânglios afectados os números são semelhantes. Porém, para as mulheres mastectomizadas sem gânglios afectados a radioterapia não teve qualquer significado a nível das variantes acima descritas, ou seja não é necessária.
Tatuaram-me o peito há três semanas e tenho a radioterapia marcada para dia 13 de Março. Contudo, depois de mais de dois meses de atraso devido ao seroma, um quisto parece vir atrasar ainda mais o tratamento. Será um sinal dos céus? 

Cartoon de Randall Munroe em xkcd.com

domingo, 5 de março de 2017

Quimio desnecessária


Algo de que me arrependo é de de ter feito quimioterapia sem ter mais informação sobre o tratamento. A quimioterapia colocou-me em menopausa antecipada e forçada. Hoje tenho dores terríveis nas articulações. Quando acordo a meio da noite para ir à casa de banho pareço uma velha de 90 anos a andar: quase não consigo dobrar os pés e as dores na coluna são arrasadoras.
A radiologista que me colocou os marcadores de titânio para se apurar qual a diminuição do tumor após a quimio, disse-me que este não tinha tendência a diminuir – era uma massa polimórfica, não concêntrica, que na realidade apenas se foi fragmentando um pouco durante o tratamento.
Se o plano já era, desde o início, tirar toda a mama, uma vez que o tumor tinha 5.8 cm na zona mais larga, porquê sujeitar-me a quimioterapia? O estadiamento sistémico foi negativo, ou seja não tinha cancro noutros órgãos para além da mama direita e dos gânglios. Para quê a quimioterapia?
Aos vários internos de oncologia que me atenderam (em seis consultas fui atendida por seis internos e nunca vi a médica que é a responsável por eles… e por mim) expliquei que era importante para mim não entrar de repente em menopausa por causa de todos os problemas músculo-esqueléticos que tenho (tendinites, hérnias, artroses, entorses anquilosados agravados por um atropelamento há cinco anos). Não se mostraram minimamente interessados ou sensibilizados. A primeira interna disse-me «bom, então a quimioterapia vai operar uma castração química no seu organismo» com uma naturalidade que me fez gelar o sangue.

Ou seja, em vez de, calmamente e durante alguns anos, o nosso corpo dizer adeus à fertilidade (com tudo o que ela implica para a feminilidade) e à juventude, passamos de repente, em três ou quatro meses, para a terceira idade. Ora, eu só esperava que esse processo, lento e natural, começasse aos 55 como aconteceu com a minha mãe, irmã e avó, não aos 50. E com outras pacientes de cancro acontece aos 35 ou aos 40, impedindo-as de procriar, criando-lhes problemas na vida a dois, problemas psicológicos graves. Se for uma escolha entre a vida e a morte, entende-se o tratamento. Mas, e se não for?
A oncologista do hospital privado onde fiz o diagnóstico chegou a propor-me uma injecção para conservar a função ovárica mas depois investigou e disse que não era cem por cento efectiva. Se não estivesse tão ocupada com terríveis aborrecimentos de trabalho antes da quimio teria explorado essa possibilidade. Acho chocante que no hospital público, face aos meus pedidos para que me não colocassem em menopausa, não me tenham proposto esse medicamento.
Enfim, chapa três (da expressão «chapa 5»….). É assim que sou tratada. Quimioterapia, cirurgia, radioterapia. É o protocolo. É assim que se faz. E muitas vezes falta-nos informação para pedir outro teste ou tratamento ou mesmo para recusar um deles.
Mas atenção: ao contrário do que a chapa três faz pensar, cada caso é um caso e nalguns deles pode ser realmente importante fazer quimioterapia. É só preciso ter cuidado para não morrer do tratamento, como acontece por vezes: o sistema imunitário enfraquecido é de tal maneira mal tratado pela quimio que o paciente não resiste…
Alguns estudos recentes mostram que a quimio é usada a torto e a direito. O ensaio clínico MINDACT (gerido e subsidiado pela EORTC - European Organisation of Research and Treatment of Cancer) baseado no método MamaPrint e no teste Adjuvant!Online mostra que quase metade (46%) das pacientes de cancro da mama  envolvidas no estudo não necessitavam da quimioterapia a que foram sujeitas.
Muitos pacientes de cancro recusam quimioterapia mesmo em casos que parecem uma questão de vida ou de morte. E aí estão, a defender outras maneiras de superar o cancro, através de mudanças na dieta e nos hábitos de vida. Alguns tornaram-se «coaches»: ensinam a outros pacientes a via alternativa. É o caso de Chris Wark - diagnosticado com cancro do cólon estádio 3 aos 26 anos - com o seu programa Square One ou de Elyn Jakobs, sobrevivente de dois cancros da mama.
Se, quando me foi proposta a quimioterapia, tivesse toda a informação que tenho hoje, provavelmente teria pedido mais testes antes de aceitar o tratamento.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

E a comida, senhor doutor?




Impressiona-me a indiferença relativa à dieta de todos os oncologistas por que fui atendida (no hospital público foram seis consultas/seis internos durante a quimioterapia) e dos próprios hospitais ou secções de oncologia, que não têm qualquer tipo de aconselhamento sobre este assunto. Apenas uma médica, num hospital privado, me fez uma referência alimentar: disse-me para não comer soja.
Este ignorar do papel que a dieta tem no cancro apesar dos inúmeros estudos científicos que demonstram uma relação, é incompreensível.
Ontem vi na SIC uma excelente reportagem sobre o excesso de açúcar e as doenças que provoca nas crianças. É pena não se ter visto este tipo de informação nos media há dez ou quinze anos, uma vez que não se trata de nada de novo. Tinha-se evitado tantos casos de obesidade, diabetes, doenças coronárias, cancro.
Porém, nessa altura, a atitude era a aceitação da obesidade - os gordos também têm direitos, as gordas são giras, a Popota é que é boa, etc. Finalmente, e ao fim deste tempo todo de excessos consumistas, a gordura é vista como aquilo que é: uma doença. E o açúcar é criminalizado.
Compete ao médico dizer aos pais que não dêem açúcar às crianças e ensinar onde ele se encontra encoberto (Coca-Cola, Ice Tea, sumos de pacote, lasanha, pizza, cereais de pequeno almoço)? Ou o clínico está lá só para receitar os medicamentos para a diabetes, feito o estrago? O mesmo se aplica ao cancro: preveni-lo através de uma educação alimentar ou apenas tratá-lo quando instalado? Não deveriam instituições como o IPO ou a Fundação Champalimaud, por exemplo, apostar na informação dietética generalizada, de forma a que chegasse a todos, sobretudo aos menos instruídos?
Isto porque, quer os senhores doutores queiram, quer não, há alimentos que estão intimamente ligados ao cancro e à sua recorrência e outros à sua cura. Há inclusive alimentos que são adjuvantes de terapias clássicas como a radioterapia e ou a terapia anti-hormonal.
Parece haver hoje muitos médicos que para além de se terem gananciosamente esquecido do juramento de Hipócrates, ignoram uma das suas citações mais conhecidas: «Que a comida seja a tua medicina e que a tua medicina seja a tua comida».

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Jogos de azar



Às vezes do tratamento do cancro parece a lotaria ou jogo de sorte e azar. Os médicos invocam a ciência mas depois desculpam-se com a sorte.
«Ficou com um problema no fígado depois da quimio? Ha quem não fique.» «Fez um seroma? Pode acontecer a qualquer uma que tire grande massa, mama e gânglios.» «Fez encapsulamento da prótese, linfedema, queimaduras? São consequências possiveis da rádio, não se pode prever.» «Engordou 20 quilos com o Tamoxifen? Há quem não engorde... E teve de fazer várias raspagens ao útero? Bom há mulheres que só têm afrontamentos e perda da libido, nunca se sabe como cada uma reage. Foi azar.»
Para um protocolo de tratamentos baseados na ciência, este (quimio/cirurgia/radioterapia/terapia anti-hormonal) deixa muito à sorte.... 


Não seria óptimo que com um dossier de informação clínica com os antecedentes do paciente o médico dissesse: «no seu caso que tem artroses, o problema pode agravar-se» ou «tem níveis de açucar altos vai engordar» ou «tem tendência para miomas e fibroses pode fazer encapsulamento da prótese mais facilmente». Seria óptimo que nos dessem as probabilidades de ganharmos ou perdermos. Que nos preparassem para a quase inevitável perda de qualidade de vida que o tratamento clássico implica. Para perder na lotaria.
Por onde anda a ciência quando é necessária? Porque não encontraram ainda um método pré-cirúrgico de saber quais os gânglios afectados poupando assim os restantes, evitando um esvaziamento axilar com o consequente linfedema para tantas? Porque não criaram um medicamento que substitua o Tamoxifen, destruidor de vidas e lares, introduzido no mercado em 1978, velho papão com barbas. Talvez porque este tipo de pesquisa não interessa à Big Pharma que financia muita da investigação. Aos laboratórios não interessa que eu fique com mais ou menos gânglios - se fizer linfedema mais medicamentos vou gastar, de mais cuidados médicos vou precisar. Quanto ao Tamoxifen, gera milhões - porquê matar a galinha dos ovos de ouro introduzindo um medicamento natural baseado na romã ou na amora?
A lotaria do cancro vai continuar com a ciência (apoiada nos laboratórios) a ajudar pouco em aspectos que podia prever.

Recusar tratamento




Não encontro estudos sobre pacientes de cancro da mama que recusaram tratamento ou parte do tratamento. Encontrei, no entanto, um excelente texto de um médico sobre o assunto, publicado originalmente no The Oncologist.
Muitas vezes a desistência deve-se a falta de comunicação com o médico (e eu bem me posso queixar disso: consultas de decisão terapêutica de três minutos em que o paciente nāo tem hipótese de abrir a boca e «seis consultas/seis oncologistas»).
Outras vezes não se trata de uma desistência, é uma decisão informada e consciente. Se analisarmos as estatísticas, a sobrevida não aumenta assim tanto em certos casos e com alguns tratamentos, enquanto os efeitos secundários são arrasadores, muitas vezes permanentes ou até a causa de morte do paciente, por compromisso total do sistema imunitário ou criação de cancros secundários.
Hoje questionei a radioterapia (na realidade ainda nāo decidi se a vou fazer) e o radiologista, no hospital privado pelo qual optei, mostrou-me um estudo que compara a sobrevida de mastectomizadas com um a três gânglios comprometidos (o meu caso) submetidas a tratamento com radiação com outras que não o foram, com algum ganho para as primeiras. Tenho tendência a fazer fibroses portanto, para mim, a radio pode significar linfedema ou encapsulamento da prótese. Mais: a radiação faz com que as células tenham menos capacidade de se regenerarem, de apoptose, após serem irradiadas. Uma certa escola de investigação reflecte negativamente sobre o uso da radiação, uma vez que poderá aumentar a hipótese de metástases.
A quimioterapia, prescrita «Chapa 3», como lhe chamo, para tudo e todas, não é efectiva em muitos casos e apenas contribui para debilitar o sistema imunitário ainda mais. No meu caso a radiologista que me colocou os marcadores tumorais disse que o meu tipo de tumor – polimórfico – não tinha tendência  a diminuir. E realmente pouco diminuiu. Uma vez que o diagnóstico sistémico era negativo, porquê arruinar-me a saúde e colocar-me em menopausa forçada e galopante com todas as consequências para o meu sistema músculo-esquelético e para a minha qualidade de vida em geral? Na altura estava demasiado preocupada com questões profissionais e nem tive disponibilidade para pensar no assunto e estudar uma recusa. E tive receio que os médicos não me operassem se eu recusasse essa fase do tratamento, a quimioterapia….

A maioria dos pacientes deixa-se levar pelo medo e permite que lhe apliquem o "protocolo" (a tal Chapa 3). Personalização? Nenhuma. Nalguns casos o doente nāo é sequer ouvido (quem quis saber dos meus problemas esqueléticos, que dou aulas de ioga e preciso dos músculos a funcionar, que não queria entrar em menopausa?). Compete-nos a nós decidir que tratamento aceitar. Compete ao médico dar-nos toda a informação para que possamos fazer uma escolha.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Maldito seroma



Quatro dias depois da cirurgia e quando só estava em casa há dois dias, tiraram-me os drenos. Desde ai que o maldito seroma não me larga.
A radioterapia deve começar, idealmente, na quinta semana após a cirurgia. Nalguns casos o adiamento pode ir até à oitava semana. No meu caso essa data já passou a 1 de Fevereiro (fui operada a 7 de Dezembro) mas como não me podem fazer os tratamentos de rádio com seroma, a espera continua.
O seroma é líquido linfático  que não é absorvido e se acumula na axila. Quanto maior a massa tirada (como por exemplo na mastectomia radical modificada que é o meu caso) mais probabilidade existe de se desenvolver. Mas nem sempre acontece. Segundo os médicos, a enfermeira que me trata e estudos que li, não existe nada que possa ajudar a prever o seroma a não ser a quantidade de massa tirada (mastectomia e esvaziamento axilar deixam-nos mais perto do prémio nesta lotaria injusta).
Também não há nada para o precaver ou curar: a faixa de elástico por cima do peito nada faz e há estudos que mostram que essa técnica já nem devia ser usada. Uso-a apenas para dar um pouco mais de suporte ao peito quando faço esforços (carregar sacos, estender roupa e fazer outras coisas que sei que não devia fazer) mas quando o seroma é muito só aumenta a dor.
Um médico da urgência disse que em relação ao seroma a única coisa a fazer é pôr a literatura em dia – ficar no sofá a relaxar. Se tivesse seguido o conselho, nestes dois meses já tinha esgotado a Biblioteca Nacional. A enfermeira que me drena o seroma duas ou três vezes por semana diz que ficar quieta é mau – compromete a articulação do ombro e a mobilidade. É das minhas – eu se ficasse quieta com todos os problemas musculo esqueléticos que tenho ficava entrevada, como bem diz o meu osteopata.
Por isso, apesar do seroma, lá vou hoje recomeçar a ir ao ginásio.
E como o seroma passou de 110cc há duas semanas para 60cc ontem e nada é para sempre (nem eu) pode ser que o danado esteja a estrebuchar e me deixe seguir com a minha vida.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Radioterapia – fazer ou não? 3D-CRT e IMRT

A radioterapia é muitas vezes prescrita como tratamento adjuvante no tratamento do cancro da mama. Nos casos em que o tumor é pequeno pode ser efectuada a radioterapia a seguir à lumpectomia com reconstrução, escapando-se a mulher à quimio e seus efeitos tóxicos (tenho duas amigas neste grupo). Por vezes, mesmo com um tumor pequeno a quimio é prescrita - por exemplo quando a proliferação das células cancerígenas é veloz (vejam a percentagem que está à frente do marcador Ki67 nos vossos exames).

Nos casos em que a proliferação é baixa e o tumor pequeno, há mulheres que recusam a radioterapia. Há também médicos que não acham necessário prescrevê-la.
No meu caso, tendo em conta que, apesar do indicador de proliferação ser baixo (15%) o tumor era grande (5.8 cm antes da quimio, 4.4 cm na análise patológica pós-cirúrgia), vou aceitar fazer esta terapia.
Outros factores que afectam a decisão, e também o planeamento do tratamento, são as margens deixadas em relação ao tumor e o número de gânglios afectados (no meu caso, três dos 12 retirados, incluindo o sentinela).
A palavra radiação deixa-vos como a mim, os (escassos) cabelos em pé? Com toda a razão – a radiação tem efeitos secundários arrasadores e não falo das queimaduras na pele e da fibrose do músculo peitoral mas dos danos nos pulmões e outros órgãos que podem resultar em vários tipos de doenças, como o cancro, e que só surgirão daqui a cinco, dez ou 15 anos.
Portanto, para além da decisão de fazer ou não radioterapia é preciso estar seguro de que o tratamento é feito por bons especialistas e escolher o melhor tipo de radioterapia externa.



No hospital público, onde estou a ser tratada, usam a técnica de Radioterapia Conformacional (Three-dimensional Conformal Radiotherapy ou 3D-CRT), por cinco semanas, e no privado propuseram-me a Radioterapia por Intensidade Modelada (Intensity Modulated Radiation Therapy - IMRT) por três semanas.
Ouvi o que cada um dos especialistas me explicou e procurei informação comparativa entre ambas, incluindo este estudo, este outro e este artigo (os últimos são sobre cancro da próstata mas muita da informação pode ser conclusiva para o da mama). Aparentemente a IMRT, pode ser modelada à volta dos órgãos, poupando-os à radiação máxima. No entanto a radiação secundária ou residual, digamos, é bastante difusa e vai atingir os órgãos. Na 3D-CRT a radiação acontece através de feixes directos que se cruzam – se o limite de um órgão estiver no seu caminho é também apanhado por essa radiação máxima tangencial.
Venha o diabo e escolha? No meu caso tenho escolha porque pago para um subsistema de saúde que me permite o acesso ao privado. Mesmo assim, continuo com dúvidas….
Nota: entretanto fiquei a saber que no hospital público também usam IMRT mas não me foi proposto. Porquê?


 

Interrogações e decisões difíceis



Para mim o pior do cancro tem sido a tomada de decisões. São opções importantes que vão influenciar a minha saúde futura e mesmo quiçá, a minha sobrevivência. Fazer ou não a quimioterapia; deixar que nos façam uma reconstrução imediata usando o músculo dorsal ou pedir a reconstrução em várias fases recorrendo a um expansor (o que eu fiz); fazer rádio 3D CRT ou IMRT; aceitar ou não a terapia anti-hormonal.
São decisões que apenas me competem a mim. Para tal tenho de ter o máximo de informação possível sobre os prós e os contras, sobre todo o processo.
No hospital público onde estou a ser tratada geralmente não tenho obtido informação suficiente por parte dos médicos. Em relação à cirurgia, tudo se atrasou semanas porque me apresentaram, em cinco minutos, a reconstrução usando o músculo dorsal como a melhor opção e eu recusei (fui atropelada e tenho sérios problemas na zona dorsal). Tive de procurar informação sobre as técnicas de reconstrução, falar com mulheres que optaram por uma ou outra (se bem que nalguns casos não tiveram muito a dizer) e ir a consultas de segunda opinião.
Relativamente ao famigerado Tamoxifeno continuo a procurar informação e alternativas.
No hospital público usam a técnica de Radioterapia Conformacional (3D CRT) e no privado propuseram-me a Radioterapia por Intensidade Modelada (IMRT). E agora? Que fazer? (ver post seguinte).
São muitas decisões a tomar – fora as outras, as relativas ao trabalho, por exemplo – que nos deixam num estado de nervos que não beneficia a cura.
É preciso informação para melhor as tomar.
Não se esqueçam: a decisão final é sempre vossa, não dos médicos. E notem: o que funcionou para uma amiga, ou para outras mulheres não funcionará necessariamente para vós.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

A cabra menopausica.





É no que se vão transformar se o vosso cancro da mama for hormonal e ainda estiverem em idade fértil. Primeiro, o oncologista diz-vos de forma técnica e quase que com uma certa alegria, que a quimio vos vai provocar uma «castração química» (fiquei gelada quando ouvi isto, eu que só esperava o inevitável daqui a uns aninhos).
Depois a terapia anti-hormonal, vulgo Tamoxifeno, faz o resto: precipita-vos numa menopausa galopante e agravada de cinco ou dez anos.
Estão a ver aquela cinquentona gorda com mau cabelo que vos olha com raiva porque puseram uma mini-saia que até vos cai muito bem, porque, apesar da idade, se mantêm em forma? Ou a outra cabra monopausica que trabalha convosco e vos lixa só porque a vida ainda tem muito para vos dar, a carreira promete e têm uma postura jovial? Pois, se não tiverem cuidado, serão vocês esse monstro muito em breve.
A mim, o período (sempre certinho, de 28 em 28 dias) desapareceu-me a meio da quimio e quando esta acabou comecei a notar que o meu pavio, já de si curto, está minúsculo - fervo em pouca água e, claro, sobra para o dedicado companheiro e para quem está mais próximo. Terei, como os médicos tanto querem, entrado em menopausa? As minhas pobres articulações e ossos, que são o meu calcanhar de Aquiles, tremem, quando penso nisso.
Para além disso, como, para já, não estou a tomar o Tamoxifen ainda não começou a engorda, mas se me decidir pelo maldito, terei de me preparar para abandonar o equilíbrio entre os meus 56 quilos e o metro e sessenta e seis e preparar-me para um novo guarda roupa XXL (com aquelas lindas camisas às flores tipo toalha de mesa e saias saco de batata).
Portanto, a solução é exercício a duplicar (não, duas vezes por semana não chega) 10 a 15 doses de vegetais e fruta por dia, 0 açucares e farinhas refinados, nada de cafeína, pouca carne e leite. E muito riso e sexo….
Desculpem lá este desabafo mas já agora leiam os posts sobre as possibilidades de protecção da fertilidade (que não nos são propostas pelos médicos)  e sobre as alternativas ao Tamoxifeno que já deveriam estar comercializadas.