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sábado, 13 de outubro de 2018

Mais uma arma para evitar a quimio

O uso de quimioterapia não faz qualquer diferença no tratamento de vários tipos de cancro da mama, segundo um estudo publicado recentemente no The New England Journal of Medicine. Isto inclui as mulheres com cancros hormonais positivos (HR+) e negativos (HR-) mas em que o cancro ainda não se espalhou para os gânglios axilares.
Para essas mulheres, o tratamento com quimioterapia e terapia hormonal depois da cirurgia não é mais benéfico - a nível da recorrência - do que o tratamento só com terapia hormonal, concluíram os investigadores de uma pesquisa efectuada ao longo de uma década que foi apresentada na American Society of Clinical Oncology, em Chicago, em Junho de 2018.

Este estudo representa mais uma arma a utilizar contra o abuso da quimioterapia no tratamento do cancro da mama, com todas as consequências devastantes que dai advêm para a vida futura da paciente de cancro.
Os médicos preocupam-se com a sobrevida - a sobrevivência ao cancro. Mas nós, as sobreviventes preocupamo-nos não só com a sobrevida mas com a qualidade de vida que teremos nesses anos que nos sobram.
Não nos esqueçamos que a quimioterapia nos rouba vida, sobretudo quando provoca uma menopausa antecipada uma vez que esta está directamente ligada à expectativa de vida.

Recordemos ainda que um grande ensaio publicado em 2016,  o MINDACT Trial, efectuado usando o teste MamaPrint, concluira que 46 por cento das pacientes com menos de três gânglios afectados foi tratada com quimioterapia sem necessidade.


sexta-feira, 7 de julho de 2017

Contra a sarcopenia malhar, malhar



Sarcopenia é a perda de força e massa muscular que geralmente acontece com o envelhecimento. A partir dos 50 anos o corpo tende a perder 0,5 a 1 % de massa muscular por ano. A falta de força é responsável por quedas, e a de massa muscular por problemas nas articulações e tendões, que deixam de ter sustento. Manter o músculo é fundamental, tanto mais que, com a idade, pode também acontecer a perda de massa óssea ou osteoporose. Se bem que esta última condição seja muito discutida pelos médicos e divulgada pelos média, a sarcopenia é menos estudada e conhecida. Ora, a falta de músculo nas pessoas de idade, é o que vai provocar a queda que quebra o osso enfraquecido.

Com a aplicação do «protocolo», os médicos colocaram-me em pós-menopausa de um momento para o outro. Actualmente o meu corpo está a perder massa muscular a um ritmo que não consigo bater – tenho os músculos dos braços e das pernas (eram o meu orgulho!) cada vez mais flácidos e as minhas vértebras estalam constantemente (hoje acordei com uma delas fora do sítio e quase nem consigo respirar, tenho de ir ao osteopata).



O problema nem é o facto de há um ano eu ser uma cinquentona com ar de ter dez anos a menos e hoje ser uma cinquentona que parece ter dez a mais – que se lixe a estética – o problema é que os meus músculos não me estão a sustentar o esqueleto e os tendões: as velhas tendinites não passam, os osteófitos (bicos de papagaio) fazem-se sentir, a hérnia lombar faz-me passar as manhãs na cama com um saco de água quente.

Por isso, se tiverem cancro e poderem evitar a quimioterapia, façam-no (não se esqueçam que 46% das mulheres, com um a três gânglios afectados, sujeitas a quimioterapia não precisavam do tratamento segundo o ensaio clínico MINDACT, de 2016, que aqui já referi). Façam perguntas aos médicos, peçam respostas, tentem perceber para que vai servir a quimioterapia no vosso caso (a mim disseram-me que era para reduzir o tumor – resposta ridícula, uma vez que a mama e os gânglios iam ser todos retirados, que importava se tinha cinco ou quatro centimetros, tanto mais que não era, à partida, o tipo de tumor para diminuir muito). E recusem, se esse tratamento não for fundamental, ou preparem-se para a consequente perda de qualidade de vida e, mesmo, de anos de vida que dele resultará.





Bom, mas agora está feito…se foram sujeitas a quimio e consequentemente vos esterilizaram, tendo entrado numa pós-menopausa súbita e precoce as chances são que comecem a perder massa e força muscular de forma mais intensa do que o normal processo de envelhecimento.

Como recuperar, pelo menos alguma massa muscular? As fontes onde encontrei melhor informação sobre o assunto são aqueles sites para os homens que querem desenvolver grandes bíceps para mostrar às meninas. Claro que meti de lado aqueles que aconselham esteroides anabolizantes e suplementos que podem interferir com a prevenção do cancro da mama. Mas alguns como este, parecem-me ter conselhos correctos. Basicamente o que há a fazer é malhar e ingerir mais proteína.

Mas nem todo o tipo de exercício é ideal. Exercícios como correr ou nadar criam músculo mas gastam calorias, energia que devia estar a ser concentrada no ganho de músculo. Portanto, o ideal é mesmo levantar peso. Podem ser exercícios com pesos ou máquinas ou com o próprio peso do corpo. Pelo menos três vezes por semana. É importante fazer exercícios para todos os grupos musculares (não querer ficar como alguns dos homens que estão ao vosso lado a levantar alteres de 300 quilos, com muito tronco e pernas fininhas) e ir aumentando sempre o peso, de forma a aumentarem a tensão muscular e a ficarem doridos no dia seguinte (sim, doridos, os músculos têm de ser sujeitos a um stress metabólico para se reconstruírem e aumentarem). Senão, é apenas um exercício para «tonificar»… Ora, nós não queremos tonificar nada, queremos ganhar músculo, deixar de ser parecidas com a Olívia Palito e ficar na classe do Popey.





Outro aspecto importante é a dieta: é importante comer bastante proteína e comer várias vezes ao dia. Se não comemos perdemos massa corporal – sim podemos perder alguma massa gorda mas a muscular também se vai! No meu caso, que não tenho massa gorda para perder, vai-se o músculo.

Esse é um dos meus calcanhares de Aquiles – estar muitas horas sem comer, a trabalhar, em stress. Ora convém comer pelo menos cinco vezes por dia e incluir proteína nessas refeições. Mas cuidado para que esta dieta não choque com a vossa dieta de prevenção do cancro da mama (ver meu post de 7 de Abril).

É preciso, por exemplo ter cuidado com os suplementos: o ideal é ir buscar a proteína aos alimentos: às sementes (linhaça, canhâmo, chia), aos legumes secos, aos ovos, aos peixes e a algumas carnes. Se optarem por suplementação tenham muito cuidado (refiram-se ao Food for Breast Cancer para perceber se os compostos podem ser prejudiciais para o vosso tipo de cancro da mama). Se optarem por um composto proteico evitem o whey – a proteína de soro de leite – e invistam na proteína vegetal, como a de ervilha por exemplo.

Para mim o mais difícil é disciplinar-me para comer mais e mais vezes e malhar…. Adoro ioga, surf, nadar, caminhar e andar de bicicleta mas ir para dentro de quatro paredes fazer máquinas na companhia do body builder que se atira às «garinas» não é o meu prato. Mas lá terá de ser.

domingo, 5 de março de 2017

Quimio desnecessária


Algo de que me arrependo é de de ter feito quimioterapia sem ter mais informação sobre o tratamento. A quimioterapia colocou-me em menopausa antecipada e forçada. Hoje tenho dores terríveis nas articulações. Quando acordo a meio da noite para ir à casa de banho pareço uma velha de 90 anos a andar: quase não consigo dobrar os pés e as dores na coluna são arrasadoras.
A radiologista que me colocou os marcadores de titânio para se apurar qual a diminuição do tumor após a quimio, disse-me que este não tinha tendência a diminuir – era uma massa polimórfica, não concêntrica, que na realidade apenas se foi fragmentando um pouco durante o tratamento.
Se o plano já era, desde o início, tirar toda a mama, uma vez que o tumor tinha 5.8 cm na zona mais larga, porquê sujeitar-me a quimioterapia? O estadiamento sistémico foi negativo, ou seja não tinha cancro noutros órgãos para além da mama direita e dos gânglios. Para quê a quimioterapia?
Aos vários internos de oncologia que me atenderam (em seis consultas fui atendida por seis internos e nunca vi a médica que é a responsável por eles… e por mim) expliquei que era importante para mim não entrar de repente em menopausa por causa de todos os problemas músculo-esqueléticos que tenho (tendinites, hérnias, artroses, entorses anquilosados agravados por um atropelamento há cinco anos). Não se mostraram minimamente interessados ou sensibilizados. A primeira interna disse-me «bom, então a quimioterapia vai operar uma castração química no seu organismo» com uma naturalidade que me fez gelar o sangue.

Ou seja, em vez de, calmamente e durante alguns anos, o nosso corpo dizer adeus à fertilidade (com tudo o que ela implica para a feminilidade) e à juventude, passamos de repente, em três ou quatro meses, para a terceira idade. Ora, eu só esperava que esse processo, lento e natural, começasse aos 55 como aconteceu com a minha mãe, irmã e avó, não aos 50. E com outras pacientes de cancro acontece aos 35 ou aos 40, impedindo-as de procriar, criando-lhes problemas na vida a dois, problemas psicológicos graves. Se for uma escolha entre a vida e a morte, entende-se o tratamento. Mas, e se não for?
A oncologista do hospital privado onde fiz o diagnóstico chegou a propor-me uma injecção para conservar a função ovárica mas depois investigou e disse que não era cem por cento efectiva. Se não estivesse tão ocupada com terríveis aborrecimentos de trabalho antes da quimio teria explorado essa possibilidade. Acho chocante que no hospital público, face aos meus pedidos para que me não colocassem em menopausa, não me tenham proposto esse medicamento.
Enfim, chapa três (da expressão «chapa 5»….). É assim que sou tratada. Quimioterapia, cirurgia, radioterapia. É o protocolo. É assim que se faz. E muitas vezes falta-nos informação para pedir outro teste ou tratamento ou mesmo para recusar um deles.
Mas atenção: ao contrário do que a chapa três faz pensar, cada caso é um caso e nalguns deles pode ser realmente importante fazer quimioterapia. É só preciso ter cuidado para não morrer do tratamento, como acontece por vezes: o sistema imunitário enfraquecido é de tal maneira mal tratado pela quimio que o paciente não resiste…
Alguns estudos recentes mostram que a quimio é usada a torto e a direito. O ensaio clínico MINDACT (gerido e subsidiado pela EORTC - European Organisation of Research and Treatment of Cancer) baseado no método MamaPrint e no teste Adjuvant!Online mostra que quase metade (46%) das pacientes de cancro da mama  envolvidas no estudo não necessitavam da quimioterapia a que foram sujeitas.
Muitos pacientes de cancro recusam quimioterapia mesmo em casos que parecem uma questão de vida ou de morte. E aí estão, a defender outras maneiras de superar o cancro, através de mudanças na dieta e nos hábitos de vida. Alguns tornaram-se «coaches»: ensinam a outros pacientes a via alternativa. É o caso de Chris Wark - diagnosticado com cancro do cólon estádio 3 aos 26 anos - com o seu programa Square One ou de Elyn Jakobs, sobrevivente de dois cancros da mama.
Se, quando me foi proposta a quimioterapia, tivesse toda a informação que tenho hoje, provavelmente teria pedido mais testes antes de aceitar o tratamento.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Jogos de azar



Às vezes do tratamento do cancro parece a lotaria ou jogo de sorte e azar. Os médicos invocam a ciência mas depois desculpam-se com a sorte.
«Ficou com um problema no fígado depois da quimio? Ha quem não fique.» «Fez um seroma? Pode acontecer a qualquer uma que tire grande massa, mama e gânglios.» «Fez encapsulamento da prótese, linfedema, queimaduras? São consequências possiveis da rádio, não se pode prever.» «Engordou 20 quilos com o Tamoxifen? Há quem não engorde... E teve de fazer várias raspagens ao útero? Bom há mulheres que só têm afrontamentos e perda da libido, nunca se sabe como cada uma reage. Foi azar.»
Para um protocolo de tratamentos baseados na ciência, este (quimio/cirurgia/radioterapia/terapia anti-hormonal) deixa muito à sorte.... 


Não seria óptimo que com um dossier de informação clínica com os antecedentes do paciente o médico dissesse: «no seu caso que tem artroses, o problema pode agravar-se» ou «tem níveis de açucar altos vai engordar» ou «tem tendência para miomas e fibroses pode fazer encapsulamento da prótese mais facilmente». Seria óptimo que nos dessem as probabilidades de ganharmos ou perdermos. Que nos preparassem para a quase inevitável perda de qualidade de vida que o tratamento clássico implica. Para perder na lotaria.
Por onde anda a ciência quando é necessária? Porque não encontraram ainda um método pré-cirúrgico de saber quais os gânglios afectados poupando assim os restantes, evitando um esvaziamento axilar com o consequente linfedema para tantas? Porque não criaram um medicamento que substitua o Tamoxifen, destruidor de vidas e lares, introduzido no mercado em 1978, velho papão com barbas. Talvez porque este tipo de pesquisa não interessa à Big Pharma que financia muita da investigação. Aos laboratórios não interessa que eu fique com mais ou menos gânglios - se fizer linfedema mais medicamentos vou gastar, de mais cuidados médicos vou precisar. Quanto ao Tamoxifen, gera milhões - porquê matar a galinha dos ovos de ouro introduzindo um medicamento natural baseado na romã ou na amora?
A lotaria do cancro vai continuar com a ciência (apoiada nos laboratórios) a ajudar pouco em aspectos que podia prever.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

A cabra menopausica.





É no que se vão transformar se o vosso cancro da mama for hormonal e ainda estiverem em idade fértil. Primeiro, o oncologista diz-vos de forma técnica e quase que com uma certa alegria, que a quimio vos vai provocar uma «castração química» (fiquei gelada quando ouvi isto, eu que só esperava o inevitável daqui a uns aninhos).
Depois a terapia anti-hormonal, vulgo Tamoxifeno, faz o resto: precipita-vos numa menopausa galopante e agravada de cinco ou dez anos.
Estão a ver aquela cinquentona gorda com mau cabelo que vos olha com raiva porque puseram uma mini-saia que até vos cai muito bem, porque, apesar da idade, se mantêm em forma? Ou a outra cabra monopausica que trabalha convosco e vos lixa só porque a vida ainda tem muito para vos dar, a carreira promete e têm uma postura jovial? Pois, se não tiverem cuidado, serão vocês esse monstro muito em breve.
A mim, o período (sempre certinho, de 28 em 28 dias) desapareceu-me a meio da quimio e quando esta acabou comecei a notar que o meu pavio, já de si curto, está minúsculo - fervo em pouca água e, claro, sobra para o dedicado companheiro e para quem está mais próximo. Terei, como os médicos tanto querem, entrado em menopausa? As minhas pobres articulações e ossos, que são o meu calcanhar de Aquiles, tremem, quando penso nisso.
Para além disso, como, para já, não estou a tomar o Tamoxifen ainda não começou a engorda, mas se me decidir pelo maldito, terei de me preparar para abandonar o equilíbrio entre os meus 56 quilos e o metro e sessenta e seis e preparar-me para um novo guarda roupa XXL (com aquelas lindas camisas às flores tipo toalha de mesa e saias saco de batata).
Portanto, a solução é exercício a duplicar (não, duas vezes por semana não chega) 10 a 15 doses de vegetais e fruta por dia, 0 açucares e farinhas refinados, nada de cafeína, pouca carne e leite. E muito riso e sexo….
Desculpem lá este desabafo mas já agora leiam os posts sobre as possibilidades de protecção da fertilidade (que não nos são propostas pelos médicos)  e sobre as alternativas ao Tamoxifeno que já deveriam estar comercializadas.