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segunda-feira, 24 de abril de 2017

A cirurgia e a reconstrução da moda



«Dispa-se (…) Bom então vamos tirar músculo da zona dorsal e colocar aqui à frente… Como !!!! O cabelo ficou-me em pé. Expliquei que fora atropelada e tinha uma dor constante na zona dorsal, precisamente daquele lado, onde as costelas estão saídas, a coluna torta, informação que não tinham no hospital porque nunca me pediram e porque não solicitaram a ficha do médico de família. «Bom então só se usarmos aqui o peitoral… olhe, venha cá daqui a duas semanas». Esta troca deve ter durado quatro ou cinco minutos.
Foi assim a minha consulta de preparação para a cirurgia da mama. Foi então que percebi que era eu que tinha que pesquisar os tipos de reconstrução possível para poder tomar uma decisão e não permitir que me «impingissem» a da moda. 

Mas isso foi o que voltou a acontecer duas semanas depois quando outro cirurgião me atendeu e tentou «vender» a tal da dorsal: «Por ano faço 400 destas e só 40 usando o peitoral». Só que dessa vez, como já tinha feito a minha pesquisa, disse que era mesmo essa minoritária que eu queria, faseada, primeiro um expansor e, depois da radioterapia, a prótese de silicone. Aquela reconstrução que hoje em dia só fazem a mulheres fumadoras ou com outros problemas.

Essa escolha talvez me permitisse evitar o encapsulamento da prótese durante a radioterapia - ou mesmo que acontecesse, poderia ser «consertado» na segunda cirurgia. A uma prima fizeram-lhe a reconstrução usando o latissimus dorsi e após a radioterapia ficou com um encapsulamento, uma fibrose. Há três anos que em uma pedra dura em vez de mama e as hipóteses de reconstrução, agora, são mais complicadas.
Reconstrução usando o latissimus dorsi.


Quanto à cirurgia não havia dúvidas: era a mama toda. Então porque me haviam dito que a quimio poderia reduzir o tumor (de 6 cm!) e que talvez fizessem só uma lumpectomia e bla, bla? Para me convencerem a fazer a quimio? Bom, eu estava mais do que decidida a tirar a mama toda desde o início. Quanto ao mamilo era diferente. Num hospital privado tinham-me dito que durante a operação era feita uma análise ao mamilo para ver se tinha células cancerosas. Se não tivesse, era poupado. Ali, no público, disseram-me que talvez o poupassem mas não me explicaram nada. Quando sai da sala de operações não tinha mamilo.

Os gânglios também foram, uma vez que o gânglio sentinela estava afectado, o que sabia desde a fase de diagnóstico. Depois da análise patológica fiquei a saber que incluindo esse, tinha três gânglios afectados ao todo.

Foi quando me vi confrontada com a necessidade de tomar a decisão relativa à reconstrução, para que não me impusessem a reconstrução da moda, que percebi que era eu que tinha que investigar e que já o devia ter feito. O período de diagnóstico de grande stress (mais por causa do trabalho do que do cancro) seguido dos meses calmos da quimio, sem grandes queixas com muito mar e bons suplementos que me ajudaram a aguentar, dava lugar a um dos meses mais stressantes da minha vida. Tomar decisões sobre algo que vai influenciar profundamente a nossa qualidade de vida futura não é fácil. Por isso fiz o que já devia ter feito e comecei a procurar a informação que o médicos não me davam. E comecei pelas técnicas de reconstrução que resumirei no próximo post.

sábado, 1 de abril de 2017

Cancro da mama estádio IV tratado pela via natural

Um exemplo de como o cancro da mama pode ser tratado pela via natural. A entrevistada da Chris Wark foi diagnosticada com cancro da mama estádio IV.
Se, em vez de estar preocupada com o meu trabalho stressante e tóxico na altura em que descobri que tinha cancro, tivesse iniciado a pesquisa que agora levo a cabo, teria tentado esta via.
De qualquer modo a informação não está perdida - é importante, como prevenção, seguirmos a via natural.
Brevemente colocarei o que como, que suplementos tomo e o que evito.



sábado, 25 de março de 2017

A verdade sobre o cancro

O programa para hoje, depois da prática de ioga, é começar a ver a série documental «A verdade sobre o cancro».

sábado, 18 de março de 2017

Argumentos para recusar a radioterapia



Argumentos a ponderar para recusar a radioterapia no meu caso (atenção, apenas no meu caso. Quem fez apenas uma lumpectomia deverá geralmente fazer radioterapia ao restante tecido mamário. Quem fez mastectomia e esvaziamento axilar e tem mais de quatro gânglios afectados deverá, sem dúvida, fazer o tratamento. E mesmo quem, como eu, tem um a três gânglios envolvidos deverá fazer radioterapia, se bem que poderá haver condições atenuantes, digamos, a considerar):
 
1- A radioterapia deve ser iniciada quatro a oito semanas após a cirurgia. Devido à existência de seroma já se passaram 14 semanas, o que diminui a efectividade do tratamento (não encontrei referências sobre o assunto que se aplicassem ao meu caso, se bem que haja muita informação sobre atrasos no tratamento de pacientes sujeitas a lumpectomia).

2- O seroma encapsulou, criando um edema e uma fibrose que me limita o movimento. A radioterapia poderá causar mais fibrose o que aumenta a possibilidade de linfedema (10 a 15 por cento).

3- O cancro estava circunscrito aos três gânglios afectados não havendo vestígios externos, na massa axilar, digamos.

4 - Se mais tarde houver recorrência local (no cancro dos ductos operado com lumpectomia essa possibilidade é maior, no lobular invasivo (o meu caso) há mais tendência para metástases distantes) a radiação poderá ser utilizada no peito uma vez que esses tecidos não terão sido ainda irradiados.

5- Tenho consciência de que as células cancerosas existentes localmente se podem espalhar ou já ter espalhado, por isso vou fazer análises regulares (a 15 de Março os marcadores tumorais mostravam que estava tudo bem).



6- Tenho conhecimento de que a radioterapia diminui em mais de dez por cento a possibilidade de metástases (comparando as mulheres mastectomizadas com um a três gânglios afectados (o meu caso) que fizeram radio com as que não o fizeram: a recorrência local foi de menos 16 por cento; a primeira recorrência (a 10 anos) foi de menos 11.5 por cento e a mortalidade foi de menos 7.9 por cento (ou fim de 20 anos) segundo estudo financiado pela Cancer Research UK publicado no The Lancet em 2014.
 
7- Por outro lado, a radiação pode criar células estaminais de cancro da mama que são 30 vezes mais resistentes à quimioterapia e à própria radiação, como demonstrou um estudo da UCLA em 2012. Ou seja as células irradiadas perdem a capacidade de apoptose (morte programada) e tornam-se mais resistentes, sendo responsáveis pela criação de metástases.

domingo, 5 de março de 2017

Quimio desnecessária


Algo de que me arrependo é de de ter feito quimioterapia sem ter mais informação sobre o tratamento. A quimioterapia colocou-me em menopausa antecipada e forçada. Hoje tenho dores terríveis nas articulações. Quando acordo a meio da noite para ir à casa de banho pareço uma velha de 90 anos a andar: quase não consigo dobrar os pés e as dores na coluna são arrasadoras.
A radiologista que me colocou os marcadores de titânio para se apurar qual a diminuição do tumor após a quimio, disse-me que este não tinha tendência a diminuir – era uma massa polimórfica, não concêntrica, que na realidade apenas se foi fragmentando um pouco durante o tratamento.
Se o plano já era, desde o início, tirar toda a mama, uma vez que o tumor tinha 5.8 cm na zona mais larga, porquê sujeitar-me a quimioterapia? O estadiamento sistémico foi negativo, ou seja não tinha cancro noutros órgãos para além da mama direita e dos gânglios. Para quê a quimioterapia?
Aos vários internos de oncologia que me atenderam (em seis consultas fui atendida por seis internos e nunca vi a médica que é a responsável por eles… e por mim) expliquei que era importante para mim não entrar de repente em menopausa por causa de todos os problemas músculo-esqueléticos que tenho (tendinites, hérnias, artroses, entorses anquilosados agravados por um atropelamento há cinco anos). Não se mostraram minimamente interessados ou sensibilizados. A primeira interna disse-me «bom, então a quimioterapia vai operar uma castração química no seu organismo» com uma naturalidade que me fez gelar o sangue.

Ou seja, em vez de, calmamente e durante alguns anos, o nosso corpo dizer adeus à fertilidade (com tudo o que ela implica para a feminilidade) e à juventude, passamos de repente, em três ou quatro meses, para a terceira idade. Ora, eu só esperava que esse processo, lento e natural, começasse aos 55 como aconteceu com a minha mãe, irmã e avó, não aos 50. E com outras pacientes de cancro acontece aos 35 ou aos 40, impedindo-as de procriar, criando-lhes problemas na vida a dois, problemas psicológicos graves. Se for uma escolha entre a vida e a morte, entende-se o tratamento. Mas, e se não for?
A oncologista do hospital privado onde fiz o diagnóstico chegou a propor-me uma injecção para conservar a função ovárica mas depois investigou e disse que não era cem por cento efectiva. Se não estivesse tão ocupada com terríveis aborrecimentos de trabalho antes da quimio teria explorado essa possibilidade. Acho chocante que no hospital público, face aos meus pedidos para que me não colocassem em menopausa, não me tenham proposto esse medicamento.
Enfim, chapa três (da expressão «chapa 5»….). É assim que sou tratada. Quimioterapia, cirurgia, radioterapia. É o protocolo. É assim que se faz. E muitas vezes falta-nos informação para pedir outro teste ou tratamento ou mesmo para recusar um deles.
Mas atenção: ao contrário do que a chapa três faz pensar, cada caso é um caso e nalguns deles pode ser realmente importante fazer quimioterapia. É só preciso ter cuidado para não morrer do tratamento, como acontece por vezes: o sistema imunitário enfraquecido é de tal maneira mal tratado pela quimio que o paciente não resiste…
Alguns estudos recentes mostram que a quimio é usada a torto e a direito. O ensaio clínico MINDACT (gerido e subsidiado pela EORTC - European Organisation of Research and Treatment of Cancer) baseado no método MamaPrint e no teste Adjuvant!Online mostra que quase metade (46%) das pacientes de cancro da mama  envolvidas no estudo não necessitavam da quimioterapia a que foram sujeitas.
Muitos pacientes de cancro recusam quimioterapia mesmo em casos que parecem uma questão de vida ou de morte. E aí estão, a defender outras maneiras de superar o cancro, através de mudanças na dieta e nos hábitos de vida. Alguns tornaram-se «coaches»: ensinam a outros pacientes a via alternativa. É o caso de Chris Wark - diagnosticado com cancro do cólon estádio 3 aos 26 anos - com o seu programa Square One ou de Elyn Jakobs, sobrevivente de dois cancros da mama.
Se, quando me foi proposta a quimioterapia, tivesse toda a informação que tenho hoje, provavelmente teria pedido mais testes antes de aceitar o tratamento.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Interrogações e decisões difíceis



Para mim o pior do cancro tem sido a tomada de decisões. São opções importantes que vão influenciar a minha saúde futura e mesmo quiçá, a minha sobrevivência. Fazer ou não a quimioterapia; deixar que nos façam uma reconstrução imediata usando o músculo dorsal ou pedir a reconstrução em várias fases recorrendo a um expansor (o que eu fiz); fazer rádio 3D CRT ou IMRT; aceitar ou não a terapia anti-hormonal.
São decisões que apenas me competem a mim. Para tal tenho de ter o máximo de informação possível sobre os prós e os contras, sobre todo o processo.
No hospital público onde estou a ser tratada geralmente não tenho obtido informação suficiente por parte dos médicos. Em relação à cirurgia, tudo se atrasou semanas porque me apresentaram, em cinco minutos, a reconstrução usando o músculo dorsal como a melhor opção e eu recusei (fui atropelada e tenho sérios problemas na zona dorsal). Tive de procurar informação sobre as técnicas de reconstrução, falar com mulheres que optaram por uma ou outra (se bem que nalguns casos não tiveram muito a dizer) e ir a consultas de segunda opinião.
Relativamente ao famigerado Tamoxifeno continuo a procurar informação e alternativas.
No hospital público usam a técnica de Radioterapia Conformacional (3D CRT) e no privado propuseram-me a Radioterapia por Intensidade Modelada (IMRT). E agora? Que fazer? (ver post seguinte).
São muitas decisões a tomar – fora as outras, as relativas ao trabalho, por exemplo – que nos deixam num estado de nervos que não beneficia a cura.
É preciso informação para melhor as tomar.
Não se esqueçam: a decisão final é sempre vossa, não dos médicos. E notem: o que funcionou para uma amiga, ou para outras mulheres não funcionará necessariamente para vós.