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terça-feira, 6 de novembro de 2018

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

O kombucha e a prevenção do cancro


Há já alguns meses que bebo o fantástico kombucha, o chá fermentado. Resulta num «champanhe» magnífico (tem 0,5 a 1% de alcóol), que «apimento» com gengibre ou hortelã, cidreira e tomilho da minha horta/varanda.
São bem conhecidas as propriedades do kombucha ou kombuchá, o chá fermentado. Sabe-se que na China já se bebia há mais de dois mil anos (na dinastia Tsing) e é citado na Bíblia (Rute 2:14) num relato datado de cerca de mil anos antes de Cristo.
A nós, doentes de cancro, interessa-nos sobretudo pelas suas propriedades alcalinizantes. Mas já lá vamos - é que merece a pena fazer uma passagem pelos outros benefícios da bebida.

Alguns dos componentes mais importantes do kombucha são:

- As vitaminas do complexo B (B1,B2,B3 e B6) que ajudam na conversão dos hidratos de carbono e aliviam os distúrbios nervosos;
- O ácido glucurónico que participa na eliminação das toxinas;
- O acido glucónico resultante da rotura da glicose que preserva os alimentos;
- O ácido úsnico, desativador de vírus e potente antibacteriano.
- O dióxido de carbono, que associado ao alcóol actua como anti-microbiano.


 Assim, o kombucha é excelente para ajudar no tratamento de diversos problemas de saúde:

Artrites – alivia as dores inflamatórias;
Pressão arterial – actua para a diminuir uma vez que reduz os lípidos no sangue e o colesterol;
Distúrbios intestinais – equilibra a flora intestinal e ajuda a regularizar o Ph;
Diabetes – estabiliza os níveis de glicose (neste caso convém que o chá fique mais ácido para termos a certeza que todo o açúcar foi consumido na fermentação);
Constipações ­– previne-as, uma vez que reforça o sistema imunitário;
Cálculos renais – ajuda a dissolvê-los;
Psoríase – tanto para uso tópico como para ingestão uma vez que a psoríase piora com os estados nervosos e a vitamina B ajuda a melhorá-los;
Distúrbios do sono – pelo mesmo motivo: as vitaminas do complexo B são essenciais para a um sono estável;
Perda de peso – melhora a capacidade do organismo para queimar gorduras e a motricidade intestinal;
Cancro – uma vez que estimula o sistema imunitário e que promove a alcalinidade do organismo (quanto mais ácido o ambiente mais proliferam as células cancerígenas).

As comidas como as frutas, vegetais, nozes, raízes e legumes secos são alcalinizantes porque são convertidas em ácidos gordos de cadeia curta com nutrientes probióticos que alimentam a bactérias boas dos intestinos (eis investigação sobre o assunto). O mesmo acontece com o kombucha. As bactérias boas vão diminuir a inflamação no corpo em geral evitando a proliferação de células cancerígenas. As comidas acidificantes, como os açucares e farinhas refinadas, as sodas e a gordura animal, criam precisamente o ambiente contrário.
Porque não beber, então, um copo de kombucha em vez de um copo de cola ou afins? É naturalmente gaseificado, muito agradável e tem propriedades óptimas.
Para aquelas que foram sujeitas a quimioterapia o kombucha é uma boa forma de ajudar o sistema imunitário a recuperar.

Como preparar

Quanto à preparação, ignorem a maioria das instruções que encontram na internet – fazem com que pareça muito complicada.
A receita é muito simples. É só fazer chá, açucará-lo e acrescentar a «panqueca» com um pouco do kombucha da fermentação anterior e depois deixar fermentar entre uma e duas semanas.

Para o meu frasco de três litros faço um litro de chá (verde ou preto) com 4 a 8 saquinhos (consoante é mais ou menos forte) acrescento um pouco menos de 2 litros de água, misturo uma xícara de açúcar (branco ou amarelo) e, por fim, coloco o biofilme (que parece uma panqueca) com um pouco do kombucha que sobrou da última fermentação.

Ou seja, é necessário:

Um recipiente de 3 litros coberto com pano ou papel;
Um litro de chá forte;
Dois litros de água;
Uma chávena de açúcar;
Um copo de chá da última fermentação;
Uma «panqueca».

O biofilme ou zoogléia (em inglês chamam-lhe SCOBY de symbiotic culture of bacteria and yeast) vai-se reproduzindo - vai engrossando e vai criando «filhos». Até os oferecer mantenho-os juntos.
Se viajarem podem conservar as «panquecas» no frigorífico, preferencialmente num recipiente ligeiramente destapado (as caixas herméticas que têm uma válvula no meio, são boas). O frio atrasa a fermentação. Também podem deixar no frasco do costume mas ao fim de três ou quatro semanas poderão ter uma bebida mais ácida, o que também é agradável – podem dobrá-la com água fresca ou usar como um vinagre de sidra.
Deve-se consumir um pequeno copo de kombucha de manhã e um outro à noite. Às vezes também bebo como refresco, num dia quente, a meio da tarde. Convém que os quase três litros sejam divididos pelos 10 ou 15 dias que leva a nova cultura a estar pronta. No Verão a fermentação é mais rápida, com o frio é mais lenta. O ideal é provar antes de engarrafar.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

O cancro e os nossos animais 2: dieta crua, cetose e cannabis

A série The Truth About Pet Cancer continua, com os episódios 3 e 4 disponiveis online.
Se, mais uma vez a refiro aqui, é porque muitos dos testemunhos dos cientistas e médicos que foram recolhidos interessam não só aos donos (agora diz-se «pais», LOL) de animais mas também a nós humanos que tentamos evitar o cancro ou curá-lo.
Sempre que vou ao veterinário este reforça que devo dar apenas secos aos meus gatos e aconselha sempre as mesmas marcas. Trata-se de algo chamado, em inglês, brand loyalty, a fidelidade a uma marca que começa a sercultivada pelas coorporações que produzem comida animal junto dos veterinários quando estes ainda são jovens, na faculdade. E funciona muito bem, sobretudo porque os veterinários - tal como os médicos - não estudam nutrição, o que os poderia ajudar a perceber que a melhor alimentação para os bichos é a que se assemelha ao que comeriam em estado selvagem ou ao que os seus congéneres, lobos e gatos selvagens, caçam. A dieta  crua para cães e gatos (dei receita no último post) é uma opção mais saudável.


Os meus bichos: Ziggy e Mimi.
Uma questão essencial abordada neste episódio é a relação entre o cancro e os quimicos presentes nos tratamentos para as pulgas e carraças que lhes metemos no pelo ou os fazemos ingerir em forma de comprimidos. Uma alternativa é o D-limolene que podemos utilizar misturando óleo essencial de citrinos (toranja, laranja, limão) com água e pulverizando os bichos de seguida.
Há também produtos homeopáticos para o efeito.
O episódio 3 vale sobretudo pela informação sobre um estudo científico que está a ser conduzido na Dinamarca sobre a ração e a sua relação com doenças caninas (começa ao minuto 19): a homocistina (relacionada com algumas doenças) aumenta com a comida seca, por comparação com a dieta crua.
A herança epigenética dos nossos animais é uma preocupação crescente - o cancro não é transmitido ou herdado mas se não alteramos a sua dieta, as novas gerações serão ainda mais propensas a esta doença uma vez que as toxinas afectam a expressão do ADN.
É o nosso exposoma que determina a nossa saúde e o mesmo acontece com o exposoma dos nossos bichos; sim, porque é a totalidade das exposições, externas e internas, a que somos sujeitos (ambiente, clima, stress, contaminantes, exercío físico, alimentação, hormonas, stress oxidativo, inflamação) que vai determinar o nosso risco de cancro. 


Castrar os animais cedo demais impede-os de usufruir do efeito protector das glândulas. Castrei os meus aos seis meses - sobretudo para ele, foi muito cedo e ainda por cima ficou com uma infecção.

No episódio 4 desta série é introduzido um tema que, para mim, é novidade: a cetose. Esta é produzida pelo fígado quando há uma dieta baixa em carbohidratos (por exemplo, em jejum), criando um estado metabólico que aumenta a função cognitiva, as defesas, a capacidade anti-inflamatória e, como resultado, a capacidade do corpo lutar contra o cancro . Os animais quando estão doentes deixam de comer e, muitas vezes, ao fim de algum tempo, recuperam. Nesses casos o processo da cetose ajuda-os a ultrapassar a crise. A dieta cetogénica está a ser muito utilizada para tratar animais com cancro.
Temos ainda de nos preocupar com o meio ambiente em que vivem os nossos queridos de quatro patas: ruas poluídas pelo dióxido de carbono dos automóveis, jardins limpos com glifosato e plantados com fertilizantes, tapetes lavados com detergentes cheios de ftalatos (os mesmos que espalhamos na nossa pele através do cheiroso creme hidratante), brinquedos de plástico com bisfenol A e a radiação emitida pelo wifi da casa, pelos computadores e pelos telemóveis.

A Mimi só quer comer ração.Procuro uma dieta natural de que goste e que seja económica.
E como tratar aqueles que já têm cancro? Bom, com ... cannabis. Os efeitos curativos desta planta são há muito conhecidos (a Food and Drug Administration já admite que cura o cancro) mas infelizmente o estigma a que está associada impede a sua utilização generalizada.
A cannabis tem um efeito citotóxico (como a quimioterapia): interrompe a proliferação celular e como pára a angiogenese, a criação de novas células, impede o crescimento de novos vasos sanguineos que alimentam o tumor, impedindo também o crescimento de novos tumores e metástases. Este agente pró-apoptose (morte celular, já aqui explicada) tem sido empregue no tratamento de animais com bastante sucesso. É ainda um excelente adjuvante para os pacientes que escolhem o tratamento tradicional com quimioterapia e radiação.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Contra a sarcopenia malhar, malhar



Sarcopenia é a perda de força e massa muscular que geralmente acontece com o envelhecimento. A partir dos 50 anos o corpo tende a perder 0,5 a 1 % de massa muscular por ano. A falta de força é responsável por quedas, e a de massa muscular por problemas nas articulações e tendões, que deixam de ter sustento. Manter o músculo é fundamental, tanto mais que, com a idade, pode também acontecer a perda de massa óssea ou osteoporose. Se bem que esta última condição seja muito discutida pelos médicos e divulgada pelos média, a sarcopenia é menos estudada e conhecida. Ora, a falta de músculo nas pessoas de idade, é o que vai provocar a queda que quebra o osso enfraquecido.

Com a aplicação do «protocolo», os médicos colocaram-me em pós-menopausa de um momento para o outro. Actualmente o meu corpo está a perder massa muscular a um ritmo que não consigo bater – tenho os músculos dos braços e das pernas (eram o meu orgulho!) cada vez mais flácidos e as minhas vértebras estalam constantemente (hoje acordei com uma delas fora do sítio e quase nem consigo respirar, tenho de ir ao osteopata).



O problema nem é o facto de há um ano eu ser uma cinquentona com ar de ter dez anos a menos e hoje ser uma cinquentona que parece ter dez a mais – que se lixe a estética – o problema é que os meus músculos não me estão a sustentar o esqueleto e os tendões: as velhas tendinites não passam, os osteófitos (bicos de papagaio) fazem-se sentir, a hérnia lombar faz-me passar as manhãs na cama com um saco de água quente.

Por isso, se tiverem cancro e poderem evitar a quimioterapia, façam-no (não se esqueçam que 46% das mulheres, com um a três gânglios afectados, sujeitas a quimioterapia não precisavam do tratamento segundo o ensaio clínico MINDACT, de 2016, que aqui já referi). Façam perguntas aos médicos, peçam respostas, tentem perceber para que vai servir a quimioterapia no vosso caso (a mim disseram-me que era para reduzir o tumor – resposta ridícula, uma vez que a mama e os gânglios iam ser todos retirados, que importava se tinha cinco ou quatro centimetros, tanto mais que não era, à partida, o tipo de tumor para diminuir muito). E recusem, se esse tratamento não for fundamental, ou preparem-se para a consequente perda de qualidade de vida e, mesmo, de anos de vida que dele resultará.





Bom, mas agora está feito…se foram sujeitas a quimio e consequentemente vos esterilizaram, tendo entrado numa pós-menopausa súbita e precoce as chances são que comecem a perder massa e força muscular de forma mais intensa do que o normal processo de envelhecimento.

Como recuperar, pelo menos alguma massa muscular? As fontes onde encontrei melhor informação sobre o assunto são aqueles sites para os homens que querem desenvolver grandes bíceps para mostrar às meninas. Claro que meti de lado aqueles que aconselham esteroides anabolizantes e suplementos que podem interferir com a prevenção do cancro da mama. Mas alguns como este, parecem-me ter conselhos correctos. Basicamente o que há a fazer é malhar e ingerir mais proteína.

Mas nem todo o tipo de exercício é ideal. Exercícios como correr ou nadar criam músculo mas gastam calorias, energia que devia estar a ser concentrada no ganho de músculo. Portanto, o ideal é mesmo levantar peso. Podem ser exercícios com pesos ou máquinas ou com o próprio peso do corpo. Pelo menos três vezes por semana. É importante fazer exercícios para todos os grupos musculares (não querer ficar como alguns dos homens que estão ao vosso lado a levantar alteres de 300 quilos, com muito tronco e pernas fininhas) e ir aumentando sempre o peso, de forma a aumentarem a tensão muscular e a ficarem doridos no dia seguinte (sim, doridos, os músculos têm de ser sujeitos a um stress metabólico para se reconstruírem e aumentarem). Senão, é apenas um exercício para «tonificar»… Ora, nós não queremos tonificar nada, queremos ganhar músculo, deixar de ser parecidas com a Olívia Palito e ficar na classe do Popey.





Outro aspecto importante é a dieta: é importante comer bastante proteína e comer várias vezes ao dia. Se não comemos perdemos massa corporal – sim podemos perder alguma massa gorda mas a muscular também se vai! No meu caso, que não tenho massa gorda para perder, vai-se o músculo.

Esse é um dos meus calcanhares de Aquiles – estar muitas horas sem comer, a trabalhar, em stress. Ora convém comer pelo menos cinco vezes por dia e incluir proteína nessas refeições. Mas cuidado para que esta dieta não choque com a vossa dieta de prevenção do cancro da mama (ver meu post de 7 de Abril).

É preciso, por exemplo ter cuidado com os suplementos: o ideal é ir buscar a proteína aos alimentos: às sementes (linhaça, canhâmo, chia), aos legumes secos, aos ovos, aos peixes e a algumas carnes. Se optarem por suplementação tenham muito cuidado (refiram-se ao Food for Breast Cancer para perceber se os compostos podem ser prejudiciais para o vosso tipo de cancro da mama). Se optarem por um composto proteico evitem o whey – a proteína de soro de leite – e invistam na proteína vegetal, como a de ervilha por exemplo.

Para mim o mais difícil é disciplinar-me para comer mais e mais vezes e malhar…. Adoro ioga, surf, nadar, caminhar e andar de bicicleta mas ir para dentro de quatro paredes fazer máquinas na companhia do body builder que se atira às «garinas» não é o meu prato. Mas lá terá de ser.

sábado, 20 de maio de 2017

Sol sim, protector não


Interessante esta entrevista do Expresso com o médico Manuel Pinto Coelho, que fala de alguns assuntos que já aqui referi e de outros que serão objecto deste blog brevemente, como a água do mar.

A deficiência de vitamina D é um dos factores de risco para o cancro. Por exemplo, nos Estados Unidos a dose mínima recomendada está muito abaixo dos níveis bons para prevenir doenças cancerosas. Se não se puder apanhar sol há sempre a possibilidade da suplementação. Mas o melhor e mais barato é mesmo o banho de sol. Basta apanhar 15 a 30 minutos de sol todos os dias, sobre a maior extensão possível de pele nua, sem protector solar. O vosso corpo gerará vitamina D3 (calciferol) suficiente para manter o vosso sistema imunitário.
Eis um artigo sobre o assunto, do American Journal of Clinical Nutrition e outros sobre a importância da vitamina D para a prevenção do cancro colo-rectal (a segunda maior causa de morte por cancro nos EUA e a primeira na Europa) e do cancro da mama (este e este)
É importante ter em conta que: quanto mais escura for a vossa pele menos vitamina D produzirá (as sardentas, como eu, precisam de menos sol, as negras e morenas, de mais); quanto mais longe do equador estiverem menos vitamina produzem; menos horas de dia e mais de noite menos vitamina D, dai ser tão importante apanhar sol no inverno.

Foto de Pedro Libório
Não se esqueçam de que não fomos feitos para estar num escritório durante as horas de sol – os nossos antepassados corriam atrás dos animais ou plantavam hortas ao ar livre. Só há um século é que passámos gradualmente a ser todos bichos de interior.

Sem protector solar? E os escaldões? E o cancro da pele? Perguntam vocês.

Não precisam de apanhar sol durante muito tempo e podem ir aumentando o tempo de exposição gradualmente.
O que interessa é aproveitar os UVB e para tal, nada de protectores solares que os bloqueiem. Pior – são compostos por substâncias altamente tóxicas que libertam radicais livres quando expostas ao sol, actuam como se de estrogénios se tratassem, desequilibrando o vosso sistema endócrino (algo a ter em conta sobretudo para nós, as do cancro da mama sensível às hormonas) para além das reacções alérgicas e irritação da pele.
As substâncias a evitar nos protectores solares são: oxybenzona, methoxycinnamate e PABA que são estrogénicos. Se o vosso protector tiver estas substâncias deitem-no fora já! Mas há ainda outras substâncias tóxicas (em inglês que é muitas vezes a língua dos ingredientes destes produtos), para amnino benzoic acid, octyl salicyclate, cinoxate, dioxybenzone, phenylbenzimidazole, homosalate, menthyl anthranilate, octocrylene, methoxycinnamate e parabenos (estes usados para conservar).


Há dois tipos de protectores solares: os não minerais que penetram na pele, são disruptivos para as hormonas e libertam radicais livres sendo o seu mais comum ingrediente a oxybenzona; e os minerais que contêm zinco e titânio. Estes não têm os efeitos dos acima referidos e bloqueiam melhor os UVA.
Acabei de verificar o protector solar de corpo que usei o ano passado: contem um dos três piores tóxicos, methoxycinnamate, para além de «parfum» - perfume ou fragance o que quer dizer que não sabemos o que lá está – os produtores não são obrigados a revelar o «segredo» do seu perfume, que contem, amiúde, ftalatos, outro disruptor do sistema endócrino. Este vai para o lixo. Leiam o rótulo do vosso protector, seja de supermercado ou de farmácia (pela minha experiência estes não são necessariamente melhores).
Ultimamente uso apenas protector para a cara e mãos – na água o fato de surf protege o corpo, em terra o meu velho casaco e o chapéu fazem o mesmo efeito. Depois de alguns dias, já não é preciso tanta protecção a pele vai ganhando cor. Mas evito sempre expor a barriga, o peito e as costas nas horas se sol mais intenso.

sábado, 13 de maio de 2017

Um cancro emocional



«De certa maneira (…) ficamos a saber a vida de uma pessoa pelo tipo de cancro de que ela padece», Haruki Murakami (A Rapariga que Inventou um Sonho 2006, p.25).
O cancro da mama é um cancro das emoções. Tirando os casos em que a genética interfere, grande parte das mulheres que tem cancro da mama fala em períodos de stress, cansaço, perda ou angústia anteriores à descoberta do dito. Depois, esses tumores embrionários, no caso dos cancros chamados hormonais (RE+ e RP+), são alimentados pelas hormonas de uma gravidez tardia, ou as da terapia de substituição hormonal, por exemplo.

Qualquer corpo produz células cancerígenas regularmente. Um bom sistema imunitário impede-as de proliferar. Um sistema imunitário fortemente afectado pelo stress e pelo stress oxidativo fica à mercê dessas células deficientes. No caso dos cancros chamados hormonais, se essas células forem alimentadas pelo estrogénio – o das pílulas e medicamentos, o dos tóxicos presentes na alimentação, no ambiente e nos produtos de higiene e limpeza e mesmo o dos desequilíbrios hormonais – proliferam. Não são as hormonas que provocam cancro como muita gente pensa. Se assim fosse as adolescentes, estavam todas com cancro! O Professor Gershom Jajicek explica exatamente isso: o estrogénio não inicia a neoplasia, promove-a.
No meu caso este processo aplica-se: em Maio de 2015 uma mamografia revelava que não tinha cancro ou tumores (BIRADS 1 para a mama direita) nem qualquer suspeita. Após, isso, numa altura em que sentia que necessitava de levar uma vida mais calma e ir de férias (o que não fazia há anos, adiando desde a defesa de doutoramento) entrei numa situação profissional de grande stress – não tanto pela quantidade de trabalho e viagens constantes, com o que estou habituada a lidar, mas pela pressão humana da parte de uma hierarquia sem respeito pelos outros. Em stress, o meu sistema imunitário ficou debilitado – estava sempre constipada, com gripe. Entretanto a remoção dos miomas (alimentados pelo estrogénio) e a tomada de hormonas (pílula do dia seguinte seguida de terapia de substituição hormonal, por um mês) foram o suficiente para, no prazo de dois ou três meses, desenvolver um tumor que em Maio de 2016 tinha 5.8 cm.

É necessário ter atenção ao nosso corpo em períodos de grande pressão psicológica – há quem afirme que o cancro da mama é emocional. Eis um artigo sobre a relação entre a imunidade e o stress publicado pela American Psycological Association. Nesta entrevista um oncologista e um Professor de Medicina Integrativa examinam essa relação.

Apesar dessa relação óbvia entre o stress e a queda da imunidade, um estudo recente na Grã-Bretanha afirma não haver qualquer relação entre o stress e o risco de cancro da mama, isto apesar de 34 por cento das mulheres diagnosticadas positivamente viver em stress e 74 por cento ter tido um evento stressante recente... (é fantástica a maneira como as estatísticas manipulam a realidade).
A questão não é o stress em si – é a forma como este afecta a imunidade. E não me digam que não há relação entre um sistema imunitário deprimido e o cancro….
E temos ainda a prova de que as células cancerígenas crescem mais depressa quando o organismo está em stress, tema já bastante estudado.
Se eliminarmos o stress, controlarmos as hormonas e reforçarmos o sistema imunitário o tumor fica privado do que o causou e do que o alimenta e é atacado por uma imunidade renovada. Há mulheres que têm tumores e que recusam a quimio (essa assassina e agente de esterilização em massa) e a cirurgia, e que, seguindo um tratamento de controle hormonal e reforço da imunidade, vêem os seus tumores mamários diminuir, desaparecer.

Portanto, controlar o stress, a raiva, a sensação de perda, a angústia e a depressão é vital para tratar o cancro ou para evitar uma recidiva.


sexta-feira, 28 de abril de 2017

A revolução da comida

Começa amanhã a Food Revolution Summit, uma conferência sobre a importância da comida na nossa saúde. Como os OGM, os pesticidas, os metais pesados, as hormonas alteram a nossa comida e nos põem doentes e como tratar várias doenças comendo, apenas comendo. Vou tentar assistir online à sessão sobre cancro (se não conseguir as conferências ficam online durante mais 21 horas, felizmente).

https://www.foodrevolutionsummit.org/soon-partner/ttac/?orid=419574&opid=235

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Moringa – planta anti-tumoral fonte de vitaminas e minerais



A moringa ajudou-me a aguentar a quimioterapia.
A oncologista do hospital privado onde fiz o diagnóstico recomendou-me que não tomasse vitaminas durante o tratamento (no hospital público nem se preocuparam com tais questões). No entanto, resolvi consultar um homeopata antes do tratamento e este receitou-me sais de Schussler (que ajudam na formação e manutenção dos ossos, músculos, nervos, etc.) e moringa.
Uma prima de Moçambique (que também já teve uma cancro da mama, bem como a sua filha) diz que nesse país se vende o pó de moringa no mercado, muito barato. Cá, é caro e tenho pensado em comprar sementes para plantar.
A moringa é um arbusto originário dos Himalaias no norte da Índia, que se espalhou pela Ásia, África e outros ambientes tropicais. Em malaio e tamil chama-se «árvore da baqueta». Toda a planta é utilizável, mais no ocidente geralmente consomem-se as sementes e as folhas em pó ou o pó diluído.
No Brasil existe o projecto Moringa para Todos que tem como objectivo promover a distribuição gratuita de sementes de moringa oleifera uma vez que a planta serve para purificação da água e nutrição de populações necessitadas.
A moringa tem 7 vezes mais vitamina C que a laranja, 10 vezes mais vitamina A que a cenoura, 25 vezes mais ferro que o espinafre, 14 vezes mais cálcio que o leite e 15 vezes mais potássio que a banana, como muito bem afirma um anúncio que encontrei. Tem 92 nutrientes e 46 tipos diferentes de anti-oxidantes. Tem vitaminas do complexo B, beta-caroteno, vitamina K, minerais e muita proteína.
Os componentes químicos da moringa tornam-na um aliado para combater vírus, bactérias, a arterioesclerose, as doenças do coração, para reforçar o sistema imunitário e como um poderoso anti-tumoral, tal como demonstrado em vários estudos (este e este, por exemplo) uma vez que induz a apoptose das células nos carcinomas humanos.
Infelizmente o lobby das farmacêuticas não permite que alimentos como este sejam desenvolvidos para tratamento do cancro.
Acredito que a moringa me ajudou durante a quimioterapia. Tomava 30 ml por dia (o dobro da dose normal). Voltei a tomar agora, que estou pior do que durante o tratamento tóxico, mas apenas 15 ml, de manhã antes do pequeno almoço.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Desintoxicar

O cinema hoje é aqui.
The Truth About Cancer - Episódio 4 - Your Secret Fountain of Youth. Sobre como desintoxicar o corpo de metais pesados e outras tóxinas com clisteres de café, saunas, morangos e outras coisas não muito complicadas. Para os que já tiveram cancro e os que não querem ter.



sexta-feira, 7 de abril de 2017

A minha dieta



Tenho a certeza se que se não reforçar o meu sistema imunitário poderei ter uma recidiva. Tratar o cancro ou preveni-lo pela via natural é possível. Mas não basta tomar qualquer produto anti-tumoral anunciado na net. É preciso um plano, persistência. Não que tenha que ser difícil, também. Basta comer bem (interessa é saber o quê), tomar alguns suplementos de substâncias que não encontramos na comida e fazer exercício. Se tivermos alguém que nos ajude nesse processo tanto melhor. Eu infelizmente, não encontrei ninguém, dai ter começado esta investigação a solo. Se a minha experiência vos poder ajudar tanto melhor.

Tenho cancro (sim tenho, porque o facto de removerem um tumor não quer dizer que não tenha cancro, uma vez que a causa não foi tomada em conta no tratamento) mas não por comer mal. Talvez abusasse um bocadinho do vinho, de vez em quando, e dos cappucinos quando estava um dia inteiro a viajar e a dar aulas na universidade, mas de resto sempre comi muitos vegetais, pouca carne ou fritos e nenhum açúcar – nunca gostei de doces ou refrigerantes, mesmo em criança.
Assim, mude apenas alguns pequenos aspectos na minha alimentação. Eis o que como:

1. evito carne de vaca e frango por causa das hormonas e, se, uma vez por outra a como num restaurante, favoreço a de animais de caça ou pasto (cabra de chanfana, borrego, galinha do campo e coelho). Porco já não como há anos – o cheiro enjoa-me. Talvez coma carne, três ou quatro vezes por mês.

2. favoreço os peixes pequenos, que terão absorvido menos metais pesados do que os grandes como o atum, espadarte e tubarão, e que são, de qualquer modo, peixes em risco de extinção (um blog sobre o assunto – reparem nos testes feitos nas águas portuguesas -  e as recomendação da Natural Resources Defence Coucil e da FDA). É preferível escolher as anchovas (adoro!) carapau, sardinha, enguias, cavala e outros peixes pequenos que se encontram nas nossas águas.
 Não como peixes de aquacultura que estão carregados de PCBs como a dourada e robalo que nos servem nos restaurantes em Portugal. O salmão é outro que tal, mas de vez em quando compro, uma vez que o selvagem é caro. Na terra da minha mãe, Peniche, como peixe quase todos os dias. Em Lisboa como cerca três de vezes por semana.
 
3. como ovos, de preferência caseiros, e legumes (ervilhas favas, lentilhas, grão, feijão mas evito a polémica soja) para equilibrar, uma vez que como pouca proteína animal.
4. bebo leite de cabra em vez do leite de vaca, cheio de hormonas. O de cabra tem menos lactose e mais vitaminas B6 e A, cálcio, potásio e magnésio. Bebo muito pouco, uma vez que só o ponho no chá preto de manhã (vejam este estudo sobre o leite de cabra e o seu feito protector na hepatocarcinogenesis e esta história de vida). Custa-me 1.99 euros por garrafa. Como um iogurte por dia (natural e de preferência feito em casa com leite de cabra, quando tenho tempo). Como queijo de ovelha e cabra.

5.como duas a três vezes mais fruta e vegetais do que comia antes de saber que tinha cancro. Para além do consumo normal às refeições, faço um batido com metade de cada e bebo ao longo do dia. Há dias em que faço dois batidos, se estiver por casa.
Uso os frutos e vegetais da época mas uso regularmente bróculos e amoras (congelados quando não há frescos) e romãs por causa do ácido elágico, que têm um efeito nos receptores de estrogénio semelhante ao Tamoxifeno, droga que resolvi não tomar. Quando não consigo comer estes vegetais e frutos, suplemento com I3C Índole Carbinol e concentrado de romã. Como pelo menos um limão por dia, porque é altamente alcalinizante.

6. como pão integral ou de centeio e cereais ao pequeno almoço, juntamente com sementes (girassol, papoila, chia, pevides) gérmen de trigo, vários tipos de nozes. Vou variando. Mas como sempre três colheres de sopa de sementes de linhaça moídas, excelentes para prevenção do cancro da mama.

7. uso e abuso das ervas e especiarias. Uso e abuso da erva de São Roberto (cresce nas minhas varandas) e da salsa, excelentes para prevenção mas cuidado com a sálvia. Tento usar, todos os dias, curcuma ou açafrão da Índia, testada e comprovada pelas suas propriedades anti-inflamatórias (as minhas pobres articulações agradecem) e anti-cancerígenas.

8. bebo vinho tinto uma a duas vezes por semana mas evito passar dos dois copos. Bebo cerveja preta de vez em quando. Não bebo outras bebidas alcoólicas e sobretudo evito bebidas brancas. Bebo chá preto indiano – sei que o verde é mais anti-oxidante mas não me agrada tanto, por isso só bebo de vez em quando. Bebo infusões, nomeadamente a mistura de urtiga, calêndula e milfolhada.

Como vêem não é difícil comer para prevenir o cancro da mama.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Otto Warburg: cancro e alimentação acidificante


Em 1931 o químico e médico Otto Heinrich Warburg ganhou o Prémio Nobel (Fisiologia) por ter descoberto que um meio ácido cria condições para o desenvolvimento das células cancerosas. Warburg investigou o metabolismo dos tumores e a respiração das células e afirmou que a principal causa do cancro é a deficiência de oxigénio nas células, que cria um meio ácido no corpo. As células cancerosas são anaeróbicas e não podem sobreviver na presença de altos níveis de oxigénio como os que se encontram num corpo alcalinizado. Um PH (hidrogénio potencial) acima dos 7.365, ou seja, alcalino, significa uma maior concentração de moléculas de oxigénio; um PH baixo, ácido, significa menores concentrações de oxigénio, oxigénio necessário às células saudáveis.

Na obra O Metabolismo dos Tumores (1926) Warburg demonstrou que todos os cancros são caracterizados por acidose e hipoxia (falta de oxigénio). Uma célula privada de oxigénio pode tornar-se cancerosa. A hipótese principal de Warburg era de que a causa do cancro é a substituição da respiração de oxigénio nas células normais pela fermentação de açucares, ou seja, de que as células tumorais geram energia através da decomposição da glicose.



Portanto, não é novidade que certos alimentos causam um meio ácido propício ao desenvolvimento das células cancerosas.

Só me pergunto porque é que 80 anos depois esta informação não é divulgada insistentemente ao público em geral e sobretudo aos pacientes de cancro.

Entretanto a hipótese de Warburg parece ter sido «ultrapassada» pelo conceito actual de que o cancro é causado por mutações nos oncogenes, ou seja, de que as células cancerígenas são aquelas que perderam a capacidade de apoptose (morte celular) reproduzindo-se indefinidamente. As mudanças metabólicas referidas por Warburg seriam apenas efeitos secundários dessas mutações e não a causa. E no entanto, está provado estatisticamente que os países que têm dietas acidificantes têm mais incidência de cancro….

Esta recusa de integrar a teoria de Otto Warburg na prevenção e tratamento do cancro tem muito a ver com a atitude geral dos oncologistas de hoje em relação à dieta. Aliás, aquele cientista foi desacreditado por insistir na importância da alimentação e até apoiou Josef M. Issels, um médico que promoveu um tratamento para o cancro baseado no reforço do sistema imunitário e que foi perseguido e condenado em tribunal. Rockefeller (que instigou a farmacêutica baseada nos petroquímicos através do subsídio às universidade de medicina que a promoviam) tentou «comprar» Warburg provavelmente para o calar, mas este não chegou a ir para os EUA.




Se refiro tudo isto é para defender algo que não é muito complicado de levar àvante e que devia ser altamente difundido como prevenção do cancro: evitarmos alimentos acidificantes e investirmos nos alcalinizantes. 
O açúcar, de que já aqui falámos, é altamente acidificante. E não falo só daquele granulado branco que alguns gostam de meter no café – há açucares escondidos (aconselho-vos esta reportagem sobre o assunto).

Outros alimentos acidificantes são os cereais e farinhas refinadas (como as que se usam nos bolos e doces), os refrigerantes, os alimentos processados em geral (incluindo chouriços, enlatados e pré-cozinhados), o álcool e o café.

Para mim, os produtos alimentares para crianças são os piores: podem não ter lactose ou glúten (p que na realidade só afecta os intolerantes) mas têm açucares, por vezes escondidos. Fico com vontade de chamar a Protecção de Menores quando vejo os pais a dar Coca-Cola e afins às crianças…
Fico também impressionada quando na fila do supermercado apanho à minha frente jovens de 20 ou 30 anos: tudo o que colocam na passadeira está embrulhado em plásticos coloridos e nada pode ser considerado comida a sério.

As mulheres que têm ou tiveram cancro da mama têm de ter cuidados acrescidos, sobretudo aquelas cujo tumor é hormonal, ER+. A carne e o leite dos animais criados com hormonas de crescimento (vacas, porcos, frangos) e a soja são alimentos a evitar. Mas sobre isso falaremos num post específico.




Os alimentos alcalinizantes de que devemos usar e abusar são as nozes, os vegetais e os frutos. Destes, tenho que salientar o limão. O que custa beber o sumo de um limão por dia, de manhã com água morna ou misturado nos batidos ou a temperar a comida? Nada. E ainda ajuda a perder peso (tem a fibra pectina), é diurético, promove a hidratação do sistema linfático (através das suprarenais) e clarifica a pele. Já diziam os antigos «quem tem um limoeiro tem uma farmácia à porta». Eu tenho uma na varanda. Só que esta não vende drogas…

PS: Sobre a questão da dieta acidificante versus cancro encontrei uma revisão de literatura interessante que remete para variada investigação recente sobre o tema aqui.

sábado, 1 de abril de 2017

O que é o cancro

Estou a ver o episódio 2 de A Verdade sobre o Cancro de Ty Bolinger.
Excelente a explicar o que é o cancro. 
Estou cada vez mais consciente de que os tratamentos a que me sujeitaram não trataram o cancro, só o seu resultado, o tumor. É apenas com isso que a oncologia se preocupa: é uma ciência de tumores.
E a causa? Os médicos nem tentam averiguar a causa. Quando lhes explico o contexto em que o meu tumor se desenvolveu - excisão de miomas, medicação com estrogénios, numa «cama» de stress, não se mostram minimamente interessados.
Claro que erradicar o tumor não acaba com o cancro. Daí as metastases. É preciso que nos tratemos pela via natural, pela alimentação. E no fundo não é muito complicado.



Cancro da mama estádio IV tratado pela via natural

Um exemplo de como o cancro da mama pode ser tratado pela via natural. A entrevistada da Chris Wark foi diagnosticada com cancro da mama estádio IV.
Se, em vez de estar preocupada com o meu trabalho stressante e tóxico na altura em que descobri que tinha cancro, tivesse iniciado a pesquisa que agora levo a cabo, teria tentado esta via.
De qualquer modo a informação não está perdida - é importante, como prevenção, seguirmos a via natural.
Brevemente colocarei o que como, que suplementos tomo e o que evito.



O poder das emoções


Hoje o cinema é aqui. Mais um episódio de The Truth About Cancer.
Episode 5: Cancer Causing Blindspots, Toxic Vaccines, Homeopathy & The Power of Emotion.


quinta-feira, 30 de março de 2017

Tamoxifeno – a droga contra o cancro que provoca cancro



Se o vosso cancro da mama for hormonal, ou seja se o estrogénio e/ou a progesterona o ajudam a desenvolver-se, é provável que após a quimioterapia, cirurgia e radioterapia vos seja prescrito Tamoxifeno (Nolvadex nos EUA) se ainda não tiverem atingido a menopausa ou um inibidor de aromatase se esse for o caso, durante um período de cinco ou dez anos.

O meu cancro era positivo para estrogénio em 95 por cento das células neoplásicas (ER 95%) e positivo para progesterona em 5% destas (PR5%).

O Tamoxifeno é um Modulador Selectivo do Regulador de Estrogénio (em inglês Selective Estrogen-Receptor Modulator ou SERM). Na mama, é um antagonista do receptor de estrogénio.
Segundo uma meta-análise de ensaios clinícos aleatórios de 2011, efectuada pelo conceituado Early Breast Cancer Trialists Research Group sobre as vantagens do Tamoxifeno nas mulheres com ER+ (que me foi passada por um médico) estas tem a ganhar 13 por cento na recorrência a 15 anos e quase dez por centro na sobrevida.
  



O Tamoxifeno foi criado em 1966 (como anticoncepcional- só mais tarde usado para o cancro) e continua a ser a única droga prescrita para este efeito. Milhões de mulheres o tomam. Milhões de mulheres desistem de o tomar. A pesquisa académica sobre a desistência é grande: cerca de cinco a dez por cento não inicia a droga (como eu), 20 ou 30 por cento desiste a meio dos cinco anos e 50 a 70 por cento não chega ao fim desse período (li variadíssimas pesquisas,  americanas e europeias).

Algumas dessas investigações estatísticas terminam incentivando os médicos a convencer as pacientes a tomar a droga. Esta é também prescrita para mulheres que não têm cancro mas que possuem factores de risco.
Porque será que tantas mulheres abandonam a droga? Sobretudo pelos seus efeitos secundários: provoca sintomas de menopausa agravados (afrontamentos, aumento de peso, hemorragia vaginal, depressão) sendo no entanto este o efeito secundário menos grave. Provoca ainda: fígado gordo e hepatite; alterações da córnea que levam a cataratas; tromboembolismos incluindo trombose das veias profundas, embolismo pulmonar, linfedema nas pernas (ligado aos trombos); miomas, endometriose, pólipos e o mais interessante: cancro do endométrio e sarcoma uterino!


Esta droga que é receitada a milhões de mulheres no mundo é um agonista do receptor de estrogénio para o útero, ou seja provoca cancro do útero. O Tamoxifeno está mesmo listado como um carcinogénio pela Organização Mundial de Saúde e pela American Cancer Society. Uma amiga minha teve de fazer várias raspagens ao útero enquanto a tomava.
Uma falácia sobre a droga é de que cura ou previne o cancro. A droga o que faz é adiar a deteção do cancro. Muitas mulheres, ao fim dos cinco anos de Tamoxifeno, têm uma recidiva. Como o Professor Gershom Zajicek da Faculdade de Medicina da Universidade de Jerusalém explica, o Tamoxifeno faz com os tumores não sejam alimentados pelo estrogénio adiando a recidiva. Ou seja, não cura o cancro porque não é um anti-carcinogénio - faz com que os tumores crescam mais devagar de modo que acabam por só ser identificados mais tarde... ou tarde demais.
No entanto há 50 anos que esta droga é imposta a milhões de mulheres, como se de uma prevenção ou cura se tratasse. Imaginem os proventos da Big Pharma!
Porque não foi criado algo com menos efeitos secundários? Porque não explicam os médicos qual é a acção real da droga, o que realmente faz? (é chocante que em tantas páginas da internet, se afirme que é uma prevenção para o cancro, o que mostra que não se deve confiar no Dr. Google).
Depois de muito pesquisar sobre o Tamoxifeno não o posso tomar, para exasperação dos médicos, que detestam ver a sua autoridade posta em causa (mais do que a minha vida). Penso que a única solução é a alternativa natural. Foi essa a minha opção, para já. Mais num próximo post.
Mas atenção: compreendo aquelas que optam por tomar o Tamoxifeno, com conhecimento dos seus reais efeitos. Não previne a recidiva ou cura o cancro (que, segundo penso tem que ser visto como uma doença crónica) mas, se permite que os tumores não sejam alimentados, adormece-os e enquanto o pau vai e vem folgam as costas!  E, ao contrário dos inibidores de aromatase é uma droga testada e bem conhecida.

domingo, 5 de março de 2017

Quimio desnecessária


Algo de que me arrependo é de de ter feito quimioterapia sem ter mais informação sobre o tratamento. A quimioterapia colocou-me em menopausa antecipada e forçada. Hoje tenho dores terríveis nas articulações. Quando acordo a meio da noite para ir à casa de banho pareço uma velha de 90 anos a andar: quase não consigo dobrar os pés e as dores na coluna são arrasadoras.
A radiologista que me colocou os marcadores de titânio para se apurar qual a diminuição do tumor após a quimio, disse-me que este não tinha tendência a diminuir – era uma massa polimórfica, não concêntrica, que na realidade apenas se foi fragmentando um pouco durante o tratamento.
Se o plano já era, desde o início, tirar toda a mama, uma vez que o tumor tinha 5.8 cm na zona mais larga, porquê sujeitar-me a quimioterapia? O estadiamento sistémico foi negativo, ou seja não tinha cancro noutros órgãos para além da mama direita e dos gânglios. Para quê a quimioterapia?
Aos vários internos de oncologia que me atenderam (em seis consultas fui atendida por seis internos e nunca vi a médica que é a responsável por eles… e por mim) expliquei que era importante para mim não entrar de repente em menopausa por causa de todos os problemas músculo-esqueléticos que tenho (tendinites, hérnias, artroses, entorses anquilosados agravados por um atropelamento há cinco anos). Não se mostraram minimamente interessados ou sensibilizados. A primeira interna disse-me «bom, então a quimioterapia vai operar uma castração química no seu organismo» com uma naturalidade que me fez gelar o sangue.

Ou seja, em vez de, calmamente e durante alguns anos, o nosso corpo dizer adeus à fertilidade (com tudo o que ela implica para a feminilidade) e à juventude, passamos de repente, em três ou quatro meses, para a terceira idade. Ora, eu só esperava que esse processo, lento e natural, começasse aos 55 como aconteceu com a minha mãe, irmã e avó, não aos 50. E com outras pacientes de cancro acontece aos 35 ou aos 40, impedindo-as de procriar, criando-lhes problemas na vida a dois, problemas psicológicos graves. Se for uma escolha entre a vida e a morte, entende-se o tratamento. Mas, e se não for?
A oncologista do hospital privado onde fiz o diagnóstico chegou a propor-me uma injecção para conservar a função ovárica mas depois investigou e disse que não era cem por cento efectiva. Se não estivesse tão ocupada com terríveis aborrecimentos de trabalho antes da quimio teria explorado essa possibilidade. Acho chocante que no hospital público, face aos meus pedidos para que me não colocassem em menopausa, não me tenham proposto esse medicamento.
Enfim, chapa três (da expressão «chapa 5»….). É assim que sou tratada. Quimioterapia, cirurgia, radioterapia. É o protocolo. É assim que se faz. E muitas vezes falta-nos informação para pedir outro teste ou tratamento ou mesmo para recusar um deles.
Mas atenção: ao contrário do que a chapa três faz pensar, cada caso é um caso e nalguns deles pode ser realmente importante fazer quimioterapia. É só preciso ter cuidado para não morrer do tratamento, como acontece por vezes: o sistema imunitário enfraquecido é de tal maneira mal tratado pela quimio que o paciente não resiste…
Alguns estudos recentes mostram que a quimio é usada a torto e a direito. O ensaio clínico MINDACT (gerido e subsidiado pela EORTC - European Organisation of Research and Treatment of Cancer) baseado no método MamaPrint e no teste Adjuvant!Online mostra que quase metade (46%) das pacientes de cancro da mama  envolvidas no estudo não necessitavam da quimioterapia a que foram sujeitas.
Muitos pacientes de cancro recusam quimioterapia mesmo em casos que parecem uma questão de vida ou de morte. E aí estão, a defender outras maneiras de superar o cancro, através de mudanças na dieta e nos hábitos de vida. Alguns tornaram-se «coaches»: ensinam a outros pacientes a via alternativa. É o caso de Chris Wark - diagnosticado com cancro do cólon estádio 3 aos 26 anos - com o seu programa Square One ou de Elyn Jakobs, sobrevivente de dois cancros da mama.
Se, quando me foi proposta a quimioterapia, tivesse toda a informação que tenho hoje, provavelmente teria pedido mais testes antes de aceitar o tratamento.