Um cansaço repentino, desde há uma semana
torna as actividades diárias um sacríficio. Estar ao computador mais de meia
hora dá-me dores terríveis nos olhos. Doem-me todas as lesões antigas da dança
e as mais recentes artroses. Efeitos ainda da quimioterapia ou, mais
provavelmente da menopausa em que a quimio me precipitou. Já decidi: amanhã vou
comprar um suplemento de onagra ou ainda melhor, um de borragem, este
ainda mais rico em ácido gama linoleico, excelente para moderar os
afrontamentos. Isto sem interferir com os receptores de estrogénio, para quem
tenha ER+. Há, aliás, médicos que aconselham óleo de onagra ás mulheres que
estão a fazer a terapia anti-hormonal seja o Tamoxifeno ou os inibidores de
aromatase. Porque a terapia de substituição hormonal está fora de questão,
claro, tal como as isoflavonas de soja. Entretanto, lá vou transpirando pela
noite fora, mesmo com este Inverno extemporâneo.
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sexta-feira, 24 de março de 2017
sábado, 21 de janeiro de 2017
Ainda os miomas e a terapia de substituição hormonal
Assim, como escrevi no post anterior,
acredito que foi o estrogénio produzido nos ovários e nas glândulas supra-renais
que era dirigido e acumulado nos meus miomas, que, excisados estes, passou a
dirigir-se para as glândulas mamárias (foi-me detectado um carcinoma lobular
invasivo). Seria interessante compreender a relação entre uma coisa e outra: aumenta
o número de quistos mamários nas mulheres a quem são retirados os miomas? Quantas mulheres
têm cancro da mama depois de lhes serem retirados os miomas? Uma mulher que tem
miomas tem mais tendência para ter cancro da mama? Para além do estudo científico referido
no post anterior não encontro investigação sobre esta relação, apenas a referência de que a causa é a mesma, o maldito estrogénio… O estabelecimento de uma relação directa poderia pôr de sobreaviso aquelas mais atormentadas pelos miomas e salvar vidas.Ainda em relação às causas do meu cancro, de uma coisa tenho certeza: a hiperestimulação ovárica através da dose dupla do medicamento de terapia hormonal de substituição (THS) combinada (estrogénio e progesterona) contribuiu para o seu desenvolvimento. O que me havia de acontecer, logo eu que sou pelos métodos naturais e estava decidida a não tomar nada quando a menopausa chegasse, dali a uns cinco ou seis anos (parece que a genética interfere nisto e a minha irmã e a minha mãe só lá chegaram por essa altura - aos 50 não tinha sequer sinais de perimenopausa).
Sobre esta terapia já li de tudo, inclusive que mulheres que tiveram cancro da mama, ao fim de cinco anos podem fazer substituição hormonal... porém um estudo recente publicado no British Journal of Cancer alerta para uma relação directa entre este tratamento efectuado na menopausa e o cancro da mama (notícia em português). Um mês de THS combinada após a retirada dos miomas deve ter sido, senão a causa, pelo menos a cereja no topo do bolo para o meu cancro da mama.
Os antecedentes - miomas e choque hormonal
A 6 de Janeiro de 2016 fui sujeita a uma miomectomia abdominal num hospital privado de Lisboa. Os miomas subserosos na parede do útero eram enormes - um deles conseguia senti-lo quando dobrava o ventre sobre as pernas em alguns asanas de ioga, de que sou praticante há muitos anos. Pressionavam-me também a bexiga - passava a vida metida na casa de banho e por vezes tinha que interromper as aulas para ir verter águas.
Os miomas são fibroses que se desenvolvem no tecido muscular do útero, o miométrio, não são malignos e uma grande percentagem das mulheres em idade fértil têm-nos, por vezes sem darem por isso. Os miomas são alimentados pelas hormonas, sobretudo pelo estrogénio (dai diminuírem, ou «secarem» com a menopausa).
Porém ainda faltava um grande mioma alojado no interior do útero que era necessário remover com uma operação mais simples, através da vagina, uma miomectomia laparoscópica. Como preparação para a cirúrgia (visando diminuir o fluxo de sangue no útero) a ginecologista mandou-me levar duas injecções de Lucrin, a chamada pílula do dia seguinte. Fiquei um pouco nervosa porque uma amiga entrou rapidamente em menopausa (aos 42 anos) após levar uma dessas, mas obedeci. Quando apresentei as minhas dúvidas ao enfermeiro do Centro de Saúde que me deu a picada este gracejou que neste caso era melhor nem ler a bula...
Retirado o mioma a 15 de Março, a médica receitou-me um medicamento de substituição hormonal, Femoston - daqueles que costumam ser receitados às mulheres na menopausa - com estrogénio e progesterona. Comecei a sentir-me mal: foi a primeira vez na vida que senti um afrontamento. Reclamei mas a ginecologista disse que tinha que ser, para cicatrizar a parede do útero.
No dia 7 de Maio, ao espelho, notei que me «faltava» um bocado da mama direita em baixo enquanto em cima um grande alto aparecia. Tinha cancro.
Exactamente um ano antes, em Maio de 2016, uma mamografia mostrava que não tinha nada além de pequenos quistos, com BIRADS 1 para a mama direita e BIRADS 2 para a esquerda (ou seja risco de cancro muito baixo).
Os médicos continuam a dizer que ninguém sabe o que causa o cancro da mama (tirando os casos em que a genética interfere). Contudo, no meu caso ele apareceu depois da eliminação dos miomas (alimentados pelo estrogénio) e depois de ser submetida a uma hiper-estimulação hormonal. A causa parece-me evidente, apesar de até agora só uma oncologista ter concordado abertamente comigo (os outros resolveram defender a classe).
Não deveria a ginecologista ter-me mandado fazer uma mamografia antes de me encher de hormonas? Ou mesmo evitado as ditas, esperando que o útero cicatrizasse por si? Não estará a eliminação dos miomas relacionada com o cancro da mama com receptores estrogénicos positivos (ER+) como o meu? Claro que sim, uma vez que ambos são alimentados pelo estrogénio como alertam vários estudos. Porque não fui informada de tal? Não terá sido má prática médica?
Os miomas são fibroses que se desenvolvem no tecido muscular do útero, o miométrio, não são malignos e uma grande percentagem das mulheres em idade fértil têm-nos, por vezes sem darem por isso. Os miomas são alimentados pelas hormonas, sobretudo pelo estrogénio (dai diminuírem, ou «secarem» com a menopausa).
Porém ainda faltava um grande mioma alojado no interior do útero que era necessário remover com uma operação mais simples, através da vagina, uma miomectomia laparoscópica. Como preparação para a cirúrgia (visando diminuir o fluxo de sangue no útero) a ginecologista mandou-me levar duas injecções de Lucrin, a chamada pílula do dia seguinte. Fiquei um pouco nervosa porque uma amiga entrou rapidamente em menopausa (aos 42 anos) após levar uma dessas, mas obedeci. Quando apresentei as minhas dúvidas ao enfermeiro do Centro de Saúde que me deu a picada este gracejou que neste caso era melhor nem ler a bula...
Retirado o mioma a 15 de Março, a médica receitou-me um medicamento de substituição hormonal, Femoston - daqueles que costumam ser receitados às mulheres na menopausa - com estrogénio e progesterona. Comecei a sentir-me mal: foi a primeira vez na vida que senti um afrontamento. Reclamei mas a ginecologista disse que tinha que ser, para cicatrizar a parede do útero.
No dia 7 de Maio, ao espelho, notei que me «faltava» um bocado da mama direita em baixo enquanto em cima um grande alto aparecia. Tinha cancro.
Exactamente um ano antes, em Maio de 2016, uma mamografia mostrava que não tinha nada além de pequenos quistos, com BIRADS 1 para a mama direita e BIRADS 2 para a esquerda (ou seja risco de cancro muito baixo).
Os médicos continuam a dizer que ninguém sabe o que causa o cancro da mama (tirando os casos em que a genética interfere). Contudo, no meu caso ele apareceu depois da eliminação dos miomas (alimentados pelo estrogénio) e depois de ser submetida a uma hiper-estimulação hormonal. A causa parece-me evidente, apesar de até agora só uma oncologista ter concordado abertamente comigo (os outros resolveram defender a classe).
Não deveria a ginecologista ter-me mandado fazer uma mamografia antes de me encher de hormonas? Ou mesmo evitado as ditas, esperando que o útero cicatrizasse por si? Não estará a eliminação dos miomas relacionada com o cancro da mama com receptores estrogénicos positivos (ER+) como o meu? Claro que sim, uma vez que ambos são alimentados pelo estrogénio como alertam vários estudos. Porque não fui informada de tal? Não terá sido má prática médica?
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